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Relato do último encontro do 14° Grupo de Estudos de Geografia Histórica

Aconteceu o último encontro do 14° Grupo de Estudos de Geografia Histórica, na quinta-feira, dia 06/12/2018, onde foram realizadas às últimas atividades  desta edição, que, especialmente, contou com a exibição de uma entrevista do professor Milton Santos à Ana Clara Torres Ribeiro. E, como já é recorrente em nossos encontros, debatemos alguns capítulos do livro Por Uma Geografia Nova, sendo eles, o capítulo 18 “A Noção de Tempo nos Estudos Geográficos”  e também a conclusão do referido livro.

A este encontro, somam-se mais 9 encontros, totalizando, assim, 10 encontros realizados durante esta edição. Quanto ao aqui relatado, contamos com a presença dos participantes Bruna Caroline, Bruno Campos, Leandro Amorim, Martins Virtuoso e Rosânia Barreto. O último dia foi marcado por grandes discussões acerca da categoria Tempo nos estudos geográficos, sendo às discussões orientadas pela proposta metodológica do professor Milton Santos.  Outros pontos foram discutidos, principalmente umas das questões centrais do livro, ao qual Santos (2002, p. 264) se questiona, ao encarar o espaço como uma casa, mas ao mesmo tempo, também como uma prisão do homem, sendo este ponto discutido durante a leitura da conclusão do livro, chamada “A Geografia e o Futuro do Homem”.

Para com o capítulo 18, reserva-se, pontualmente, uma tentativa de entender o espaço como um resultado de diversos sistemas espaciais e temporais, e não somente como uma evolução de variáveis confusas e dispersas no espaço-tempo (Santos, 2002, p. 255). Como resultante desse processo histórico longo e conturbado, o espaço condensaria em sua materialidade uma “acumulação desigual de tempos”, que, por sua vez, é resultado de uma combinação específica de objetos datados em épocas diferentes. Santos (2002, p. 259) nos apresenta novamente a importância do conceito rugosidades, sendo este um importante conceito para se compreender a estrutura em que está inserida os objetos visíveis na paisagem atual. Ele canaliza a interpretação temporal da paisagem, fator esse importante quando se quer analisar refuncionalizações, qual nível de “receptividade” desses lugares, isto é, como se consolidará nos lugares os efeitos desses fluxos atuais  que são cada vez mais complexos e intensos.

Com relação à conclusão do livro, pareceu-nos evidente a tentativa do professor Milton Santos em conceber uma Geografia Crítica, preocupada em “desmistificar” as relações desiguais entre as classes que movimentam-se sobre o espaço (SANTOS, 2002, p. 265). Essa tarefa, como aparece ao decorrer de todo livro, foi uma proposta radical na época do então lançamento do livro. Haviam outras correntes metodológicas que dominavam o saber e o ensino geográfico, e, sendo assim, como escreve o próprio autor, essa tarefa de uma geográfica crítica, com a incumbência de propor uma análise espacial levando em conta como e por quem o espaço é e foi produzido, está além dos artifícios acadêmicos, ela “exige coragem, tanto no estudo como na ação (SANTOS, 2002, p. 267)”. Com efeito, o que tentamos interiorizar e compreender é a importância do espaço enquanto uma estrutura social como as outras, percebendo em sua rigidez e estruturas permanentes, um tipo de conteúdo que relaciona-se com processos que são resultado tanto de tempos passados quanto de tempos atuais, ou ainda também sendo resultado de um processo que contempla à superposição dos dois tempos, isto é, os já citados tempos passados e atuais. Há, de alguma maneira, sempre um atrito entre o movimento da Sociedade e o Espaço constituído-constituinte (SANTOS, 2002, p. 265).

Outra atividade que fez parte do último encontro desta edição do 14° GEGH foi a exibição da entrevista feita por Ana Clara Torres Ribeiro ao professor Milton Santos. Entre os diversos momentos da entrevista, foi discutida a relação da ciência com a política; A organização espacial produzida pelos agentes atuais; o conceito de espaço banal  proposto por Milton Santos; O papel do cotidiano e sua força manifesta através do lugar; a “inteligência” das técnicas atuais; os diferentes usos do território entre os diferentes agentes, etc. Estes foram alguns dos pontos abordados durante a discussão pós-entrevista, quando fomos levados a discutir o papel da geografia crítica nos tempos atuais.

No mais, à organização do Grupo de Estudos de Geografia Histórica e a todos que ajudaram a construir mais uma edição do Grupo, meus agradecimentos, principalmente por continuarmos nessa busca de sentido por uma Geografia mais viva e mais crítica.

 

Atenciosamente,

 

Bruno Campos

 

Abaixo algumas fotos do encontro realizado no dia 06/12/2018:

 

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Relato do penúltimo encontro do 14° Grupo de Estudos de Geografia Histórica que está discutindo o livro Por uma Geografia Nova

Aconteceu mais um encontro do 14° Grupo de Estudos de Geografia Histórica, que nesta edição vem discutindo o importante livro Por uma Geografia Nova, de Milton Santos. Como é sabido, os encontros estão sendo realizados todas às quintas-feiras, às 9 horas. Neste último, estudamos e discutimos o capítulo 16 “Estado e Espaço: O Estado-Nação Como Unidade Geográfica de Estudo” e o capítulo 17 “As Noções de Totalidade, de Formação Social e a Renovação da Geografia”, sendo eles apresentados, respectivamente, por Paulo Ricardo Pessanha e Rosânia Barreto.  O encontro ainda contou a presença de Bruna Caroline, Bruno Campos, Martins Virtuoso e Leandro Amorin, formando assim o núcleo de pessoas que debateram os capítulos.

Indo em direção a discussão que foi travada no dia 29/11, vamos aqui tentar explicitar os principais pontos que foram discutidos no dia, tendo em vista a gama de conteúdos que vimos ser tratados no livro, incluindo como um dos destaques o enfoque metodológico proposto por Milton Santos, onde este utiliza-se do Estado-Nação como uma unidade geográfica de estudo. Durante a leitura do capítulo 16, foi recorrente a afirmação de que o Estado é um “intermediário” entre as relações locais e extra locais, existindo funções importantes nesse novo processo de internacionalização. Para Santos (2002), O Estado estaria incumbido de controlar essas invasões de empresas Multinacionais, como também promovê-las ao lançar investimentos no território nacional, principalmente no que se refere à infraestruturas básicas; O Estado nos países subdesenvolvidos foi outro tema importante ressaltado na discussão, principalmente por problematizarmos a herança colonial do Brasil, sendo esta uma das causas do desequilíbrio social interno que, direta ou indiretamente afeta as relações do Estado com o exterior, sem contar a assimetria crescente de contradições nas relações internacionais (SANTOS, 2002, p. 242); Outro tema de interesse em nosso encontro foi sobre à forma com que grandes potências tendem a querer controlar os aparelhos político dos Estados periféricos, dando continuidade à hegemonia outrora instalada em tempos passados e que foi assunto do ponto anterior. Agora, iremos abordar alguns temas do outro capítulo discutido no encontro, tendo como marco central a discussão de algumas categorias de análise. Entre os pontos, destacaram-se: A Formação social como algo que estrutura e recria a “ordem espacial”, sendo estas, manifestações do modo de produção em uma “ordem” histórica determinada – com isso discutimos novamente o Brasil colônia e sua estrutura de classes (SANTOS, 2002, P. 236); Quanto à noção de Totalidade, segundo Santos (p. 237), destaca-se  o papel de elucidação da realidade, isto é, a necessária procura pelas contradições inerentes à sociedade encontraria suporte na noção de Totalidade, desmascarando-a. Nas palavras do autor: “Apenas, para que seja realmente vista, essa realidade tem de ser considerada como uma totalidade, na qual há interdependência entre todas as partes (…); E, por fim, temos a introdução de uma nova categoria anunciada por Santos (p. 244), a categoria de Formação Socioeconômica Espacial. A então formação social já apresentada estaria, irredutivelmente, ligada à dimensão espacial, pois cada país guardaria uma “especifidade” no seu acontecer histórico e geográfico, como o supracitado autor  já escrevera em passagens anteriores.

Como venho sempre a ressaltar o próximo encontro, lhes informo que o próximo será também o último desta 14° edição. Sendo assim, temos encontro marcado para o dia 06/12/2018, às 9 horas. Em breve anunciaremos às atividades a serem desenvolvidas no último encontro.

 

Abaixo fotos do encontro realizado no dia 29/11/2018:

 

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Atenciosamente,

 

Bruno Campos

Relato do oitavo encontro do Grupo de Estudos de Geografia Histórica

Foi realizado, no dia 22/11/2018, mais um encontro do Grupo de Estudos de Geografia Histórica, que, nesta edição, está discutindo importante obra do período em que a ciência geográfica estava passando por um processo de renovação, durante a década de 70. Trata-se do livro Por uma Geografia Nova, de Milton Santos, e como já foram realizados 7 encontros, estamos chegando na reta final das discussões sobre o livro. Sendo assim, verificou-se no encontro anterior a leitura dos capítulos 12 e 13, e, dando continuação, iremos agora abarcar o conteúdo dos capítulos 14 e 15, capítulos estes que inauguram a terceira parte do livro intituluda Por uma Geografia Crítica.

O encontro teve início às 9 horas e contou com a presença de Bruna Caroline, Bruno Campos, Leandro Amorim, Lucas de Souza Leal e Rosânia Barreto. Como ja é sabido por posts anteriores, à apresentação é feita com a exposição oral dos argumentos principais destacados no texto, sendo uma pessoa responsável por capítulo (geralmente, discutimos dois capítulos por encontro), seguido de reflexões e comentários acerca dos conteúdos elencados.

Dando início à apresentação das reflexões levantadas no dia do encontro, sobre o curto capítulo 14, “Em Busca de um Paradigma”, destacam-se os seguintes pontos discutidos: à afirmação de que “toda teoria é revolucionária”, cunhada por Santos, diz respeito a um processo novo de significação das coisas passadas e presentes, pois, encarando a realidade como uma coisa dotada de contínuas transformações, os contextos mudariam ou fariam com que toda teoria fosse obrigada a ser revolucionária, uma teoria do presente; em sequência, discutimos também os possíveis erros que podemos estar cometendo, ao não perceber que certos paradigmas não passam de meras ideologias, chegando ao ponto de Santos elencar à Geografia Quantitava como exemplo; e, para encerrar este capítulo, fizemos à reflexão sobre como pensar a mudança de paradigma, quais são os contextos e as principais causas dessas mudanças, etec. Sendo assim, Santos (2002) sugere que a cada momento de ruptura e de novas práticas, de novas técnicas, de novos conhecimentos, o mundo muda, e a partir desta mudança, a necessidade de uma nova mobilização teórica e, portanto, científica, faz-se necessária. Antes de finalizar o raciocínio, insere-se, mais, o próprio pensamento do autor quanto à noção de paradgima, atribuindo a esta, um pertencimento à história e não a uma ciência particular. Isto é, esta história tendo como alvo à natureza em constante transformação. Agora, com relação ao capítulo 15, “O Espaço Total de Nossas Dias”, situamos o debate acerca dos seguintes temas e problemáticas: em um primeiro instante, discutiu-se sobre o processo de produção do espaço a partir de sua gênese em comunidade e crescimento gradual, dando-lhe uma outra interpretação e prática de tempo e espaço, sendo estes influênciados pelas mudanças na tecnicas, nas formas de se organizar, no trabalho e na produção. Ao fim, ao termos discutidos as mudanças temporais e espaciais, refletimos sobre a conclusão de Santos, onde o mesmo conclui que o espaço, como um espaço total, está imbricado, constantemente com o espaço local. Nas palavras do supracitado autor “são aspectos de uma única e mesma realidade”; outro tema interessante discutido, faz referência à “Universalização da Economia e do Espaço”, sendo a internacionalizaçao da produção e do consumo consequências desse processo, a atuação de Multinacionais, o papel do Estado enquanto condicionador, ator desse processo, etc; outras reflexões, principalmente às teóricas, também foram levantadas, com ênfase às categorias de estrutura, processo, função e forma, a totalidade e a dialética à luz de uma interpretação de Milton Santos sobre Spinoza, comentando os conceitos de natura naturans  e natura naturata, e,  por fim, também uma discussão acerca dos novos desdobramentos no espaço prático, o espaço outrora como “fator”, isto é, às novas implicações contextuais e espaciais que reconfiguram   á materialidade, e que necessitam de novas significações teóricas para seu entendimento.

 

No mais, temos encontro marcado para a próxima quinta-feira, dia 29/11/2018, onde será realizada à leitura dos capítulos 16 e 17.

 

 

Atenciosamente,

 

 

Bruno Campos

 

*Abaixo, fotos do encontro realizado na última quinta-feira, dia 22/11/2018:

 

 

 

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Relato do sétimo encontro do Grupo de Estudos de Geografia Histórica, realizado no dia 01/11/2018

Realizou-se, no dia 01/11/2018, mais um encontro do 14° Grupo de Estudos de Geografia Histórica. Nesta edição, estamos debatendo importante livro do pensamento crítico na Geografia. Trata-se do livro “Por uma Geografia Nova”, do professor Milton Santos. Como vem sendo normal em todos os encontros desta edição, o último encontro foi marcado pela discussão de mais dois capítulos da obra citada acima, um deles é o capítulo 12, intitulado “O Espaço, Um fator?” e o outro, capítulo 13, intitulado “O Espaço Como Instância Social”. Ambos os capítulos citados, respectivamente, foram apresentados por Bruno Campos e Martins Virtuoso. O encontro ainda contou com a presença de Rosânia Barreto e Ricardo Pessanha.

Tendo em vista os capítulos discutidos no dia do encontro, vamos aqui tentar abordar os principais pontos discutidos e levantados. No que concerne ao capítulo 12, muitas questões foram levantadas quanto ao papel do espaço enquanto um mecanismo de objetivação de processos futuros, isto é, o papel que o espaço adquire enquanto um objeto dotado de características que influenciam a reprodução social subsequente. SANTOS (2002), aponta que há uma “reprodução do padrão espacial”, sendo recorrente durante o encontro a busca pelas exemplificações que o próprio autor utiliza no livro, uma delas fazendo referência às vias férreas, onde as mesmas influenciariam a constituição das rodovias, isto é, estariam condicionando processos similares quanto ao padrão da reprodução espacial. Outros exemplos trazidos pelo autor foram também comentados. Alguns outros pontos foram discutidos no encontro, como a questão da mobilidade do capital enquanto um capital que nunca está se direcionando à lugares diferentes e diversificados e sim um capital que concentra suas atividades onde realmente possa existir a sua minima reprodução, isto é, onde as condições como infraestrutura, mão-de-obra barata, facilidade de comunicação, entre outros fatores estão presentes. O autor enfatiza essa abordagem nos países subdesenvolvidos (SANTOS, 2002, pg. 168). Ainda no mesmo capítulo, o debate sobre as “macrocefalias” apontadas por (SANTOS, 2002, p. 169) foram também alvos de reflexão. O papel das grandes metrópoles nacionais que forçam uma centralização de possíveis investimentos. Investimentos esses que podem ser por parte do Estado e que por isso mesmo, podem também constituir dentro dessa totalidade social que é o espaço do Estado-Nação, uma repartição desigual dos recursos, evidenciando assim uma influência notória das grandes metrópoles, sendo também um Espaço-fator. E por fim, encerrando as discussões deste capítulo 12, discutimos o conceito de Rugosidades, sendo este as formas que ficam de herança do passado na paisagem, portanto um produto também da história. Sendo formas, as rugosidades resistem aos tempos e assim permanecem influenciando às atividades subsequentes, seja por sua limitação em estrutura ou por acomodar melhor ou pior certos tipos de atividade (SANTOS, 2002,  p. 174). Agora, vamos relatar um pouco sobre os temas comentados que dizem respeito ao capítulo 13 “O Espaço Como Instância Social”. Entre os diversos assuntos, destacam-se: A negligência na produção de conhecimento em relação ao espaço sendo considerado uma instância social; a preponderância da instância econômica entre as demais instâncias, sejam elas políticas, sociais, culturais; Outro grande detalhe apontado por SANTOS (2002) foi de observar que a ‘estrutura espacial’ não evolui no mesmo ritmo que as outras estruturas e que sendo assim, distinguiria-se das demais, chegando também à concluir que o espaço seria dotado de uma “autonomia de existência” (SANTOS, 2002, p. 187). ; Para finalizar, chegando ao último tópico do debate realizado em sala, Santos nos trouxe uma discussão acerca do ‘Espaço como História e como Estrutura’. Nas palavras do autor: “(…) Através do Espaço, a história se torna, ela própria, estrutura, estruturada em formas. E tais formas, como formas-conteúdo, influenciam o curso da história, pois elas participam da dialética global da sociedade. (SANTOS, 2002, p. 189).” Com isso, fomos levados a refletir sobre a estrutura espacial-social do Brasil e também pensar sobre alguns aspectos de estruturas passadas que permaneceram no presente, resultado, em grande parte, do processo de colonização-dominação a que foi submetido.

 

No mais, o próximo encontro marcado será no dia 08/11/2018, quando daremos continuidade à discussão do livro.

Abaixo fotos do encontro realizado no dia 01/11/2018.

 

 

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Atenciosamente,

 

Bruno Campos

 

 

Relato do sexto encontro do GEGH 2018-2, ocorrido em 25/10/2018, que está discutindo o livro Por uma Geografia Nova

Aconteceu, no dia 25/10/2018, a realização de mais um encontro do 14° Grupo de Estudos de Geografia Histórica. O encontro contou com a presença de Bruna Caroline, Bruno Campos Moraes, Cintia Cristina Lisboa, Martin Virtuoso, Paulo Ricardo e Rosânia Barreto.

Nesta edição estamos discutindo importante obra do processo de renovação crítica da ciência geográfica. A obra discutida é o livro do professor Milton Santos Por uma Geografia Nova, que foi lançada em 1978. Obra de importância ímpar, pois diz respeito à volta do autor ao Brasil após ter sido exilado durante o governo ditatorial implantado no ano de 1964.

Como já ocorreram cinco encontros do GEGH, estamos na segunda parte do livro, intitulada “Geografia, Sociedade e Espaço”. Nesta parte do livro, encontram-se os capítulos que foram discutidos no dia aqui relatado, que são eles: o capítulo 10 “Uma Tentativa de Definição do Espaço”, e o capítulo 11 “O Espaço: Mero Reflexo da Sociedade ou Fato Social?”. Sobre o primeiro capítulo citado, foi apresentado por  Cintia Cristina Lisboa e o segundo por Rosânia Barreto. Ambos foram apresentados em exposição oral, alternando sempre entre comentários e reflexões acerca dos capítulos, conformando, assim, um debate necessário sobre às contribuições do professor Milton Santos. Nesse sentido, agora vamos descrever algumas das questões que foram trazidas durante o encontro sobre os capítulos.

 Com relação ao capítulo 10 “Uma Tentativa de Definição do Espaço” destacam-se os principais pontos: a necessidade de uma diferenciação entre a ciência e o seu objeto, tendo em vista primordialmente às reflexões sobre o conteúdo do objeto;  como ressalta SANTOS (2002, p. 144), a partir do momento em que criam-se várias definições do que seja a Geografia, o desenvolvimento da disciplina torna-se mais lento; a não definição desse objeto e logo, sua pouca reflexão, traz consigo o fantasma do seu próprio isolamento entre as ciências;  a necessidade de se ter categorias analíticas bem definidas para melhor ser realizado o trabalho de teorização da realidade tangível;  a categoria espaço sendo um produto histórico (SANTOS, 2002, p. 147); a preocupação com a definição das categorias analíticas estaria associada à objetivos também interdisciplinares; e para finalizar o conteúdo discutido neste capítulo 10, trago o trecho em que  SANTOS (2002, p. 153) escreve sobre como o espaço deveria ser pensado e considerado, sendo este trecho alvo de grande discussão: “(…) o espaço se define como um conjunto de formas representativas de relações sociais do passado e do presente e por uma estrutura representada por relações sociais que estão acontecendo diante dos nossos olhos e que se manifestam através de processos e funções. O espaço é, então, um verdadeiro campo de forças cuja aceleração é desigual.” Agora, levando em conta as principais questões colocadas em debate sobre o capítulo 11 “O Espaço: Mero Reflexo da Sociedade ou Fato Social?”, destacaram-se os seguintes pontos: em um primeiro momento, discutimos algumas formas de apreensão do espaço, entre elas, a abordagem do espaço como percepção, como intuição, entre outras, sendo estas abordagens trazidas por SANTOS (2OO2) no primeiro subcapítulo; outra questão importante abordada foi a discussão de que se o espaço é ou não um reflexo da sociedade, se ele impõe-se ou não à sociedade, sendo essa questão interpretada por Santos (2002) como delicada, pois o espaço não é neutro como imaginamos, o argumento de que ele é um campo de forças ressaltado mais acima modifica o argumento de que o espaço seria um somente um reflexo da sociedade, para SANTOS (2002, p. 159), “Quando se considera o espaço como um mero reflexo, nós o estamos colocando sob o mesmo plano que a ideologia (…)”; E por fim, como último ponto do encontro, discutimos a objetividade do espaço, isto é, o seu ser imperativo diante à sociedade, ele não apenas como mera percepção individual, mas também como um objeto que é “produto e produtor; determinante e terminado” pela sociedade total. (SANTOS, 2002, p. 163)

 

O 14° Grupo de Estudos de Geografia histórica segue com às atividades em normalidade, sendo o próximo encontro no dia 01/11/2018.

Abaixo algumas fotos do encontro que foi realizado no dia 25/10/2018:

 

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Atenciosamente,

 

Bruno Campos

 

 

Relato do quinto encontro do 14° GEGH 2018-2, que foi realizado no dia 11/10/2018; Destacam-se as discussões acerca do livro “Por Uma Geografia Nova”, de Milton Santos

Foi realizado, no dia 11/10/2018,  mais um encontro do Grupo de Estudos de Geografia Histórica, que agora neste segundo semestre marca a sua 14° edição. Nesta edição estamos discutindo o livro Por uma Geografia Nova, de Milton Santos, obra de muita importância no movimento de renovação do pensamento geográfico no Brasil. A obra vendo sendo discutida através da apresentação de dois capítulos por encontro, encontros esses que são realizados todas as quintas-feiras, às 9 horas. Este ultimo encontro foi marcado pela presença dos seguintes participantes: Bruna Caroline, Bruno Campos, Cintia Cristina Lisboa, Martins Virtuoso e Paulo Ricardo Pessanha.

Sobre a apresentação dos capítulos, destaca-se a divisão entre o capítulo 8 “O Balanço da Crise: A Geografia Viúva do Espaço”, que foi apresentado pela Bruna Caroline, e o capítulo 9 “Uma Nova Interdisciplinaridade”, apresentando por Paulo Ricardo Pessanha, capítulo este que introduz a segunda parte do livro, intitulada “Geografia, Sociedade, Espaço”.  Dentro do que foi discutido sobre o cap. 8, importa-nos, uma mini-conclusão da primeira parte do livro onde alguns pontos destacam-se: A Influência das Escolas Nacionais no papel da Estagnação da ciência geográfica, implicando assim uma “reprodução do saber”; uma virada em relação ao ponto difusor do conhecimento geográfico, tendo forte marca nos Estados Unidos durante o pós-guerra; o “Empiricismo Abstrato” causando uma desvalorização dos atributos científicos dos principais conceitos geográficos, entre eles a categoria Paisagem; por fim, como resumo, utilizando as palavras do próprio SANTOS (2002)  para definir a crise da Geografia, o autor escreve: “Destemporalizando o espaço e desumanizando-o, a geografia acabou dando as costas ao seu objeto e terminou sendo “uma viúva do Espaço”.”  Com isso, temos um balanço geral do que foi tratado nesta parte do livro, com apontamentos cruciais e pontos essenciais da discussão que não podem ser perdidos de vista.  Agora, tendo em vista o primeiro capítulo da segunda parte, destacamos os seguintes pontos abordados no encontro: A influência das Escolas Nacionais de Geografia com relação a fragmentação e isolamento com as outras formas de produzir conhecimento geográfico; a necessidade de uma maior interdisciplinaridade entre as demais ciências, não só a geográfica; afirmações quanto à necessidade de se pensar a geografia historicamente para fins de melhor análise do espaço social do presente. (SANTOS, p. 135, 2002); outra discussão importante diz respeito à questão imperativa de se reconhecer o objeto da geografia e suas principais categorias, para em sequencia conseguir aplicar com segurança à interdisciplinaridade. (SANTOS, p. 135, 2002).

 

 

No mais, temos encontro marcado para o próximo dia 25/11/2018, com a discussão dos capítulos 10 e 11.

 

 

Atenciosamente,

 

 

Bruno Campos

Relato da quarta reunião do GEGH 2018-2 que está discutindo o livro Por uma Geografia Nova, ocorrida em 04/10/2018

Foi realizado mais um encontro do 14° Grupo de Estudos de Geografia Histórica, com destaque para a leitura de mais dois capítulos do livro Por uma Geografia Nova: da crítica da Geografia a uma Geografia Crítica, de Milton Santos.  O encontro foi marcado pela presença dos participantes: Martin Virtuoso, Paulo Ricardo Pessanha, Rosânia Barreto, Bruno Campos Moraes e a integrante Bruna Caroline. A metodologia adotada quanto às exposições dos conteúdos mantiveram-se as mesmas. O horário dos encontros são às 9 horas, todas as quintas feiras.

O livro, como vem sendo ressaltado,  apresenta abordagens críticas ao conteúdo da história do pensamento geográfico, sendo estas críticas direcionadas principalmente às correntes de pensamento que ao longo da história influenciaram os eixos epistemológicos da Geografia. Mais recentemente, nesta última quinta-feira, dia 04/10/2018, as discussões travadas tiveram início com a apresentação do capítulo 6, “A Geografia da Percepção e do Conhecimento”, com a apresentação sendo feita pela Bruna Caroline a  partir da exposição oral dos argumentos centrais trabalhados no capítulo. Dentro de uma visão geral do que foi trabalhado em ambiente de sala, destacamos este capítulo como um ensaio crítico dessas duas novas abordagens trazidas pela Geografia, a da Percepção e do Comportamento.  A Geografia da Percepção manifesta-se principalmente de acordo com as percepções individuais de cada sujeito, alternando assim o conteúdo do objeto da Geografia múltiplas vezes. Para SANTOS (2002), esse caminho torna-se complicado, uma vez que sempre estaremos lidando com  percepções e não com o conhecimento analítico do real. Essa questão levará a outra proposição crítica do autor, quando o mesmo discorre quanto ao suposto conteúdo dessa percepção geográfica da realidade, que estaria supostamente presa às formas e situações geográficas em relação ao seu conteúdo aparente, e não teria cuidado com o que os objetos geográficos representam em relação ao conteúdo explicativo desses objetos, assumindo assim um nível de análise mais profundo com relação à paisagem, se quisermos destacar um exemplo de operação de um dos conceitos mais importantes da Geografia. Completando essa nova fase que então chegara à Geografia através de influências da Psicologia Social e Comportamental,  a Geografia do Comportamento apresenta duas principais tendências de abordagem. Segundo SANTOS (p. 95, 2002), a diretrizes seriam: “a) os comportamentos individuais são o resultado de volições e decisões pessoais, individuais; b) são os comportamentos pessoais que contribuem para modelar o espaço.” Nesse sentido, a principal crítica apresentada é resultado de uma visão de totalidade de Milton Santos, onde o mesmo, por acreditar em um movimento total da sociedade, anuncia apontamentos problemáticos quanto à abordagem comportamental. Com isso, os indivíduos ao modelarem os espaços estariam sujeitos à uma práxis coletiva já instituída; determinações estruturais seriam o ponto fraco da Geografia do Comportamento. Com relação ao outro capítulo, intitulado “O Triunfo do Formalismo e da Ideologia”, destacam-se as problemáticas levantadas acerca dos impactos analíticos da New Geography, com esta fazendo parte de estudos que levavam em conta, principalmente, o utilitarismo da Geografia com relação à difusão espacial do capital através de modelos abstratos e extremamente quantitativos.  Essa tendência positivista que utilizava a matemática como instrumento de legitimação cientificista subestimava a realidade, pois a realidade apresentava um sem-número de contradições, formações históricas distintas, isto é, especificidades que não estavam no escopo de inferência das análises da então Nova Geografia. Com efeito, sobre a caracterização dessa nova vertente incorporada às práticas teóricas geográficas, Santos (p. 108, 2002) afirma que a New Geography representou uma ‘involução’.

As atividades do GEGH seguem em operação normal. O próximo encontro será realizado no dia 11/10/2018.

 

Atenciosamente,

 

Bruno Campos