Relato do último encontro do 14° Grupo de Estudos de Geografia Histórica

Aconteceu o último encontro do 14° Grupo de Estudos de Geografia Histórica, na quinta-feira, dia 06/12/2018, onde foram realizadas às últimas atividades  desta edição, contando com a exibição de uma entrevista do professor Milton Santos à Ana Clara Torres Ribeiro. O encontro ainda contou, logicamente, com discussão do capítulo 18 “A Noção de Tempo nos Estudos Geográficos” e, também, a leitura e debate da conclusão do livro que  discutimos, isto é, o livro Por Uma Geografia Nova, de 1978.

A este encontro, somam-se mais 9 encontros, totalizando, assim, 10 encontros realizados durante esta edição. Quanto ao aqui relatado, contamos com a presença dos participantes Bruna Caroline, Bruno Campos, Leandro Amorim, Martins Virtuoso e Rosânia Barreto. O último dia foi marcado por grandes discussões acerca da categoria Tempo nos estudos geográficos, sendo às discussões orientadas pela proposta metodológica do professor Milton Santos.  Outros pontos foram discutidos, principalmente umas das questões centrais do livro, ao qual Santos (2002, p. 264) se questiona, ao encarar o espaço como uma casa, mas ao mesmo tempo, também como uma prisão do homem, sendo este ponto discutido durante a leitura da conclusão do livro, chamada “A Geografia e o Futuro do Homem”.

Para com o capítulo 18, reserva-se, pontualmente, uma tentativa de entender o espaço como um resultado de diversos sistemas espaciais e temporais, e não somente como uma evolução de variáveis confusas e dispersas no espaço-tempo (Santos, 2002, p. 255). Como resultante desse processo histórico longo e conturbado, o espaço condensaria em sua materialidade uma “acumulação desigual de tempos”, que, por sua vez, é resultado de uma combinação específica de objetos datados em épocas diferentes. Santos (2002, p. 259) nos apresenta novamente a importância do conceito rugosidades, sendo este um importante conceito para se compreender a estrutura em que está inserida os objetos visíveis na paisagem atual. Ele canaliza a interpretação temporal da paisagem, fator esse importante quando se quer analisar refuncionalizações, qual nível de “receptividade” desses lugares, isto é, como se consolidará nos lugares os efeitos desses fluxos atuais  que são cada vez mais complexos e intensos.

Com relação à conclusão do livro, pareceu-nos evidente a tentativa do professor Milton Santos em conceber uma Geografia Crítica, preocupada em “desmistificar” as relações desiguais entre as classes que movimentam-se sobre o espaço (SANTOS, 2002, p. 265). Essa tarefa, como aparece ao decorrer de todo livro, foi uma proposta radical na época do então lançamento do livro. Haviam outras correntes metodológicas que dominavam o saber e o ensino geográfico, e, sendo assim, como escreve o próprio autor, essa tarefa de uma geográfica crítica, com a incumbência de propor uma análise espacial levando em conta como e por quem o espaço é e foi produzido, está além dos artifícios acadêmicos, ela “exige coragem, tanto no estudo como na ação (SANTOS, 2002, p. 267)”. Com efeito, o que tentamos interiorizar e compreender, é a importância do espaço enquanto uma estrutura social como as outras, percebendo em sua rigidez e estruturas permanentes, um tipo de conteúdo que relaciona-se com processos que são resultado tanto de tempos passados quanto de tempos atuais, ou ainda há superposição desses dois tempos. Há, de alguma maneira, sempre um atrito entre o movimento da Sociedade e o Espaço constituído-constituinte (SANTOS, 2002, p. 265).

Outra atividade que fez parte do último encontro desta edição do 14° GEGH foi a exibição da entrevista feita por Ana Clara Torres Ribeiro ao professor Milton Santos. Entre os diversos momentos da entrevista, foi discutida a relação da ciência com a política; A organização espacial produzida pelos agentes atuais; o conceito de espaço banal  proposto por Milton Santos; O papel do cotidiano e sua força manifesta através do lugar; a “inteligência” das técnicas atuais; os diferentes usos do território entre os diferentes agentes, etc. Estes foram alguns dos pontos abordados durante a discussão pós-entrevista, quando fomos levados a discutir o papel da geografia crítica nos tempos atuais.

No mais, à organização do Grupo de Estudos de Geografia Histórica e a todos que ajudaram a construir mais uma edição do Grupo, meus agradecimentos, principalmente por continuarmos nessa busca de sentido por uma Geografia mais viva e mais crítica.

 

Atenciosamente,

 

Bruno Campos

 

Abaixo algumas fotos do encontro realizado no dia 06/12/2018:

 

 

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Destaque

Relato do último encontro do 14° Grupo de Estudos de Geografia Histórica

Aconteceu o último encontro do 14° Grupo de Estudos de Geografia Histórica, na quinta-feira, dia 06/12/2018, onde foram realizadas às últimas atividades  desta edição, que, especialmente, contou com a exibição de uma entrevista do professor Milton Santos à Ana Clara Torres Ribeiro. E, como já é recorrente em nossos encontros, debatemos alguns capítulos do livro Por Uma Geografia Nova, sendo eles, o capítulo 18 “A Noção de Tempo nos Estudos Geográficos”  e também a conclusão do referido livro.

A este encontro, somam-se mais 9 encontros, totalizando, assim, 10 encontros realizados durante esta edição. Quanto ao aqui relatado, contamos com a presença dos participantes Bruna Caroline, Bruno Campos, Leandro Amorim, Martins Virtuoso e Rosânia Barreto. O último dia foi marcado por grandes discussões acerca da categoria Tempo nos estudos geográficos, sendo às discussões orientadas pela proposta metodológica do professor Milton Santos.  Outros pontos foram discutidos, principalmente umas das questões centrais do livro, ao qual Santos (2002, p. 264) se questiona, ao encarar o espaço como uma casa, mas ao mesmo tempo, também como uma prisão do homem, sendo este ponto discutido durante a leitura da conclusão do livro, chamada “A Geografia e o Futuro do Homem”.

Para com o capítulo 18, reserva-se, pontualmente, uma tentativa de entender o espaço como um resultado de diversos sistemas espaciais e temporais, e não somente como uma evolução de variáveis confusas e dispersas no espaço-tempo (Santos, 2002, p. 255). Como resultante desse processo histórico longo e conturbado, o espaço condensaria em sua materialidade uma “acumulação desigual de tempos”, que, por sua vez, é resultado de uma combinação específica de objetos datados em épocas diferentes. Santos (2002, p. 259) nos apresenta novamente a importância do conceito rugosidades, sendo este um importante conceito para se compreender a estrutura em que está inserida os objetos visíveis na paisagem atual. Ele canaliza a interpretação temporal da paisagem, fator esse importante quando se quer analisar refuncionalizações, qual nível de “receptividade” desses lugares, isto é, como se consolidará nos lugares os efeitos desses fluxos atuais  que são cada vez mais complexos e intensos.

Com relação à conclusão do livro, pareceu-nos evidente a tentativa do professor Milton Santos em conceber uma Geografia Crítica, preocupada em “desmistificar” as relações desiguais entre as classes que movimentam-se sobre o espaço (SANTOS, 2002, p. 265). Essa tarefa, como aparece ao decorrer de todo livro, foi uma proposta radical na época do então lançamento do livro. Haviam outras correntes metodológicas que dominavam o saber e o ensino geográfico, e, sendo assim, como escreve o próprio autor, essa tarefa de uma geográfica crítica, com a incumbência de propor uma análise espacial levando em conta como e por quem o espaço é e foi produzido, está além dos artifícios acadêmicos, ela “exige coragem, tanto no estudo como na ação (SANTOS, 2002, p. 267)”. Com efeito, o que tentamos interiorizar e compreender é a importância do espaço enquanto uma estrutura social como as outras, percebendo em sua rigidez e estruturas permanentes, um tipo de conteúdo que relaciona-se com processos que são resultado tanto de tempos passados quanto de tempos atuais, ou ainda também sendo resultado de um processo que contempla à superposição dos dois tempos, isto é, os já citados tempos passados e atuais. Há, de alguma maneira, sempre um atrito entre o movimento da Sociedade e o Espaço constituído-constituinte (SANTOS, 2002, p. 265).

Outra atividade que fez parte do último encontro desta edição do 14° GEGH foi a exibição da entrevista feita por Ana Clara Torres Ribeiro ao professor Milton Santos. Entre os diversos momentos da entrevista, foi discutida a relação da ciência com a política; A organização espacial produzida pelos agentes atuais; o conceito de espaço banal  proposto por Milton Santos; O papel do cotidiano e sua força manifesta através do lugar; a “inteligência” das técnicas atuais; os diferentes usos do território entre os diferentes agentes, etc. Estes foram alguns dos pontos abordados durante a discussão pós-entrevista, quando fomos levados a discutir o papel da geografia crítica nos tempos atuais.

No mais, à organização do Grupo de Estudos de Geografia Histórica e a todos que ajudaram a construir mais uma edição do Grupo, meus agradecimentos, principalmente por continuarmos nessa busca de sentido por uma Geografia mais viva e mais crítica.

 

Atenciosamente,

 

Bruno Campos

 

Abaixo algumas fotos do encontro realizado no dia 06/12/2018:

 

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Relato do último encontro do 14° Grupo de Estudos de Geografia Histórica

Aconteceu o último encontro do 14° Grupo de Estudos de Geografia Histórica, na quinta-feira, dia 06/12/2018, onde foram realizadas às últimas atividades  desta edição, contando com a exibição de uma entrevista do professor Milton Santos à Ana Clara Torres Ribeiro. O encontro ainda contou, logicamente, com discussão do capítulo 18 “A Noção de Tempo nos Estudos Geográficos” e, também, a leitura e debate da conclusão do livro que  discutimos, isto é, o livro Por Uma Geografia Nova, de 1978.

A este encontro, somam-se mais 9 encontros, totalizando, assim, 10 encontros realizados durante esta edição. Quanto ao aqui relatado, contamos com a presença dos participantes Bruna Caroline, Bruno Campos, Leandro Amorim, Martins Virtuoso e Rosânia Barreto. O último dia foi marcado por grandes discussões acerca da categoria Tempo nos estudos geográficos, sendo às discussões orientadas pela proposta metodológica do professor Milton Santos.  Outros pontos foram discutidos, principalmente umas das questões centrais do livro, ao qual Santos (2002, p. 264) se questiona, ao encarar o espaço como uma casa, mas ao mesmo tempo, também como uma prisão do homem, sendo este ponto discutido durante a leitura da conclusão do livro, chamada “A Geografia e o Futuro do Homem”.

Para com o capítulo 18, reserva-se, pontualmente, uma tentativa de entender o espaço como um resultado de diversos sistemas espaciais e temporais, e não somente como uma evolução de variáveis confusas e dispersas no espaço-tempo (Santos, 2002, p. 255). Como resultante desse processo histórico longo e conturbado, o espaço condensaria em sua materialidade uma “acumulação desigual de tempos”, que, por sua vez, é resultado de uma combinação específica de objetos datados em épocas diferentes. Santos (2002, p. 259) nos apresenta novamente a importância do conceito rugosidades, sendo este um importante conceito para se compreender a estrutura em que está inserida os objetos visíveis na paisagem atual. Ele canaliza a interpretação temporal da paisagem, fator esse importante quando se quer analisar refuncionalizações, qual nível de “receptividade” desses lugares, isto é, como se consolidará nos lugares os efeitos desses fluxos atuais  que são cada vez mais complexos e intensos.

Com relação à conclusão do livro, pareceu-nos evidente a tentativa do professor Milton Santos em conceber uma Geografia Crítica, preocupada em “desmistificar” as relações desiguais entre as classes que movimentam-se sobre o espaço (SANTOS, 2002, p. 265). Essa tarefa, como aparece ao decorrer de todo livro, foi uma proposta radical na época do então lançamento do livro. Haviam outras correntes metodológicas que dominavam o saber e o ensino geográfico, e, sendo assim, como escreve o próprio autor, essa tarefa de uma geográfica crítica, com a incumbência de propor uma análise espacial levando em conta como e por quem o espaço é e foi produzido, está além dos artifícios acadêmicos, ela “exige coragem, tanto no estudo como na ação (SANTOS, 2002, p. 267)”. Com efeito, o que tentamos interiorizar e compreender, é a importância do espaço enquanto uma estrutura social como as outras, percebendo em sua rigidez e estruturas permanentes, um tipo de conteúdo que relaciona-se com processos que são resultado tanto de tempos passados quanto de tempos atuais, ou ainda há superposição desses dois tempos. Há, de alguma maneira, sempre um atrito entre o movimento da Sociedade e o Espaço constituído-constituinte (SANTOS, 2002, p. 265).

Outra atividade que fez parte do último encontro desta edição do 14° GEGH foi a exibição da entrevista feita por Ana Clara Torres Ribeiro ao professor Milton Santos. Entre os diversos momentos da entrevista, foi discutida a relação da ciência com a política; A organização espacial produzida pelos agentes atuais; o conceito de espaço banal  proposto por Milton Santos; O papel do cotidiano e sua força manifesta através do lugar; a “inteligência” das técnicas atuais; os diferentes usos do território entre os diferentes agentes, etc. Estes foram alguns dos pontos abordados durante a discussão pós-entrevista, quando fomos levados a discutir o papel da geografia crítica nos tempos atuais.

No mais, à organização do Grupo de Estudos de Geografia Histórica e a todos que ajudaram a construir mais uma edição do Grupo, meus agradecimentos, principalmente por continuarmos nessa busca de sentido por uma Geografia mais viva e mais crítica.

 

Atenciosamente,

 

Bruno Campos

 

Abaixo algumas fotos tiradas durante o encontro:

 

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Palestra “Geografia Histórica: pressupostos e possibilidades de pesquisa”

Se realizará na Universidade de São Paulo, mais especificamente junto ao Departamento de Geografia, a palestra “Geografia Histórica: pressupostos e possibilidades de pesquisa”, ministrada pelo coordenador do Geohistórica, prof. Marcelo Werner da Silva. O evento ocorrerá no dia 06/12/2018, às 18 horas, dentro de um Ciclo de Palestras em Geografia Histórica e contará também com a palestra “Os geógrafos, Brasília e o planejamento: história e epistemologia”, com a profa. Larissa Alves de Lira, que ocorrerá no dia 07/12 também às 18 horas. Maiores detalhes no cartaz abaixo.

palestra usp

Último encontro do 14° GEGH contará com exibição da entrevista de Milton Santos à Ana Clara Torres Ribeiro, além de concluir discussão do livro Por uma Geografia Nova

Amanhã, dia 06/12/2018, será realizado o último encontro do Grupo de Estudos de Geografia Histórica, que está em sua 14° edição neste ano de 2018. E, como trata-se do último encontro, iremos dar continuidade à discussão dos capítulos, sendo feita, em forma de homenagem ao professor Milton Santos, à leitura em sala da conclusão do livro que estamos discutindo nesta edição, isto é, o livro Por uma Geografia Nova: Da Crítica da Geografia a uma Geografia Crítica. Como em realidade discutimos sempre dois capítulos por encontro, iremos estudar o capítulo 18 “A Noção de Tempo nos Estudos Geográficos” e também a conclusão já citada, intitulada “A Geografia e o Futuro do Homem”.

Além desta atividade que já é recorrente no Grupo de Estudos de Geografia Histórica, também faremos a exibição de um vídeo. Será passado em sala uma entrevista do professor Milton Santos concedida à Ana Clara Torres Ribeiro, importante socióloga que infelizmente também já nos deixou.

Sendo assim, fazemos aqui um convite à toda comunidade acadêmica e interessados em geral, para prestigiar o último encontro desta edição do 14° Grupo de Estudos de Geografia Histórica, no polo universitário da UFF Campos, às 9 horas, na sala Multiuso, Bloco C.

No mais, aguardaremos a presença de todos,

 

atenciosamente,

 

Bruno Campos

 

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Relato do penúltimo encontro do 14° Grupo de Estudos de Geografia Histórica que está discutindo o livro Por uma Geografia Nova

Aconteceu mais um encontro do 14° Grupo de Estudos de Geografia Histórica, que nesta edição vem discutindo o importante livro Por uma Geografia Nova, de Milton Santos. Como é sabido, os encontros estão sendo realizados todas às quintas-feiras, às 9 horas. Neste último, estudamos e discutimos o capítulo 16 “Estado e Espaço: O Estado-Nação Como Unidade Geográfica de Estudo” e o capítulo 17 “As Noções de Totalidade, de Formação Social e a Renovação da Geografia”, sendo eles apresentados, respectivamente, por Paulo Ricardo Pessanha e Rosânia Barreto.  O encontro ainda contou a presença de Bruna Caroline, Bruno Campos, Martins Virtuoso e Leandro Amorin, formando assim o núcleo de pessoas que debateram os capítulos.

Indo em direção a discussão que foi travada no dia 29/11, vamos aqui tentar explicitar os principais pontos que foram discutidos no dia, tendo em vista a gama de conteúdos que vimos ser tratados no livro, incluindo como um dos destaques o enfoque metodológico proposto por Milton Santos, onde este utiliza-se do Estado-Nação como uma unidade geográfica de estudo. Durante a leitura do capítulo 16, foi recorrente a afirmação de que o Estado é um “intermediário” entre as relações locais e extra locais, existindo funções importantes nesse novo processo de internacionalização. Para Santos (2002), O Estado estaria incumbido de controlar essas invasões de empresas Multinacionais, como também promovê-las ao lançar investimentos no território nacional, principalmente no que se refere à infraestruturas básicas; O Estado nos países subdesenvolvidos foi outro tema importante ressaltado na discussão, principalmente por problematizarmos a herança colonial do Brasil, sendo esta uma das causas do desequilíbrio social interno que, direta ou indiretamente afeta as relações do Estado com o exterior, sem contar a assimetria crescente de contradições nas relações internacionais (SANTOS, 2002, p. 242); Outro tema de interesse em nosso encontro foi sobre à forma com que grandes potências tendem a querer controlar os aparelhos político dos Estados periféricos, dando continuidade à hegemonia outrora instalada em tempos passados e que foi assunto do ponto anterior. Agora, iremos abordar alguns temas do outro capítulo discutido no encontro, tendo como marco central a discussão de algumas categorias de análise. Entre os pontos, destacaram-se: A Formação social como algo que estrutura e recria a “ordem espacial”, sendo estas, manifestações do modo de produção em uma “ordem” histórica determinada – com isso discutimos novamente o Brasil colônia e sua estrutura de classes (SANTOS, 2002, P. 236); Quanto à noção de Totalidade, segundo Santos (p. 237), destaca-se  o papel de elucidação da realidade, isto é, a necessária procura pelas contradições inerentes à sociedade encontraria suporte na noção de Totalidade, desmascarando-a. Nas palavras do autor: “Apenas, para que seja realmente vista, essa realidade tem de ser considerada como uma totalidade, na qual há interdependência entre todas as partes (…); E, por fim, temos a introdução de uma nova categoria anunciada por Santos (p. 244), a categoria de Formação Socioeconômica Espacial. A então formação social já apresentada estaria, irredutivelmente, ligada à dimensão espacial, pois cada país guardaria uma “especifidade” no seu acontecer histórico e geográfico, como o supracitado autor  já escrevera em passagens anteriores.

Como venho sempre a ressaltar o próximo encontro, lhes informo que o próximo será também o último desta 14° edição. Sendo assim, temos encontro marcado para o dia 06/12/2018, às 9 horas. Em breve anunciaremos às atividades a serem desenvolvidas no último encontro.

 

Abaixo fotos do encontro realizado no dia 29/11/2018:

 

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Atenciosamente,

 

Bruno Campos

Relato do oitavo encontro do Grupo de Estudos de Geografia Histórica

Foi realizado, no dia 22/11/2018, mais um encontro do Grupo de Estudos de Geografia Histórica, que, nesta edição, está discutindo importante obra do período em que a ciência geográfica estava passando por um processo de renovação, durante a década de 70. Trata-se do livro Por uma Geografia Nova, de Milton Santos, e como já foram realizados 7 encontros, estamos chegando na reta final das discussões sobre o livro. Sendo assim, verificou-se no encontro anterior a leitura dos capítulos 12 e 13, e, dando continuação, iremos agora abarcar o conteúdo dos capítulos 14 e 15, capítulos estes que inauguram a terceira parte do livro intituluda Por uma Geografia Crítica.

O encontro teve início às 9 horas e contou com a presença de Bruna Caroline, Bruno Campos, Leandro Amorim, Lucas de Souza Leal e Rosânia Barreto. Como ja é sabido por posts anteriores, à apresentação é feita com a exposição oral dos argumentos principais destacados no texto, sendo uma pessoa responsável por capítulo (geralmente, discutimos dois capítulos por encontro), seguido de reflexões e comentários acerca dos conteúdos elencados.

Dando início à apresentação das reflexões levantadas no dia do encontro, sobre o curto capítulo 14, “Em Busca de um Paradigma”, destacam-se os seguintes pontos discutidos: à afirmação de que “toda teoria é revolucionária”, cunhada por Santos, diz respeito a um processo novo de significação das coisas passadas e presentes, pois, encarando a realidade como uma coisa dotada de contínuas transformações, os contextos mudariam ou fariam com que toda teoria fosse obrigada a ser revolucionária, uma teoria do presente; em sequência, discutimos também os possíveis erros que podemos estar cometendo, ao não perceber que certos paradigmas não passam de meras ideologias, chegando ao ponto de Santos elencar à Geografia Quantitava como exemplo; e, para encerrar este capítulo, fizemos à reflexão sobre como pensar a mudança de paradigma, quais são os contextos e as principais causas dessas mudanças, etec. Sendo assim, Santos (2002) sugere que a cada momento de ruptura e de novas práticas, de novas técnicas, de novos conhecimentos, o mundo muda, e a partir desta mudança, a necessidade de uma nova mobilização teórica e, portanto, científica, faz-se necessária. Antes de finalizar o raciocínio, insere-se, mais, o próprio pensamento do autor quanto à noção de paradgima, atribuindo a esta, um pertencimento à história e não a uma ciência particular. Isto é, esta história tendo como alvo à natureza em constante transformação. Agora, com relação ao capítulo 15, “O Espaço Total de Nossas Dias”, situamos o debate acerca dos seguintes temas e problemáticas: em um primeiro instante, discutiu-se sobre o processo de produção do espaço a partir de sua gênese em comunidade e crescimento gradual, dando-lhe uma outra interpretação e prática de tempo e espaço, sendo estes influênciados pelas mudanças na tecnicas, nas formas de se organizar, no trabalho e na produção. Ao fim, ao termos discutidos as mudanças temporais e espaciais, refletimos sobre a conclusão de Santos, onde o mesmo conclui que o espaço, como um espaço total, está imbricado, constantemente com o espaço local. Nas palavras do supracitado autor “são aspectos de uma única e mesma realidade”; outro tema interessante discutido, faz referência à “Universalização da Economia e do Espaço”, sendo a internacionalizaçao da produção e do consumo consequências desse processo, a atuação de Multinacionais, o papel do Estado enquanto condicionador, ator desse processo, etc; outras reflexões, principalmente às teóricas, também foram levantadas, com ênfase às categorias de estrutura, processo, função e forma, a totalidade e a dialética à luz de uma interpretação de Milton Santos sobre Spinoza, comentando os conceitos de natura naturans  e natura naturata, e,  por fim, também uma discussão acerca dos novos desdobramentos no espaço prático, o espaço outrora como “fator”, isto é, às novas implicações contextuais e espaciais que reconfiguram   á materialidade, e que necessitam de novas significações teóricas para seu entendimento.

 

No mais, temos encontro marcado para a próxima quinta-feira, dia 29/11/2018, onde será realizada à leitura dos capítulos 16 e 17.

 

 

Atenciosamente,

 

 

Bruno Campos

 

*Abaixo, fotos do encontro realizado na última quinta-feira, dia 22/11/2018:

 

 

 

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