Indicação de filme: I Am Not Your Negro (2016)

Em tempos em que autoproclamados candidatos a presidencia da república vão à associações judaicas e realizam o exercício de discriminação e ofensas raciais dirigidas a negros e indígenas, isso indica algumas coisas.

Em primeiro lugar prova que a história não é linear. Não existe “progresso”, no sentido de “evolução”. Somos ainda e sempre retornamos aos tempos imemoriais em que se estranhava o outro, a diferença. É confundido alegremente progresso, evolução, com aumento de conhecimento técnico. Esse aumenta, mas a contradição é que é o imperativo do lucro provoca uma alteração que leva, muitas vezes à externalização dos custos. O meio ambiente está aí para comprovar isso.

Em segundo lugar a capacidade do ser humano de cometer as maiores barbáries e de as continuar cometendo. Não há evolução, somos os mesmos seres capazes das melhores e das piores atitudes. Não há pessoas defendendo a volta do regime militar? (Sobre isso recomendo o artigo “Aos que defendem a volta da ditadura”, de Eliane Brum).

Portanto um documentário como este, “I Am Not Your Negro” (Eu não sou o seu negro), do diretor Raoul Peck nos lembra a luta dos negros americanos por direitos civis e do racismo que ainda permeia a sociedade norte-americana e brasileira. Como sempre esquecemos, temos a obrigação de sempre (re) lembrar.

O filme é baseado nos escritos e conferências de James Baldwin, intelectual negro que conta a história da “América” através da trajetória de três lideres dos direitos civis dos quais foi contemporâneo: Medgar Evers, Malcom X e Martin Luther King Jr. Todos eles assassinados. Paralelamente vai contrapondo a memória da escravidão e dos protestos pela brutalidade policial contra os negros norte-americanos que chega aos nossos dias.

Abaixo o trailer legendado:

https://www.youtube.com/watch?v=ahObxbv0f6k

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Foto de Marcelo Werner em Cinemes Boliche, Barcelona, Espanha (08/04/2017)

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