Campos dos Goytacazes é uma cidade média?

Campos dos Goytacazes  é uma cidade média?

Por Marcelo Werner da Silva (1)
Dedicado aos/as alunos/as de graduação e mestrado da UFF/CAMPOS
Esta é uma questão que parece não envolver muito polêmica. Mas como muitos aqui efetuam pesquisas sobre Campos dos Goytacazes e a consideram uma cidade média, gostaria de problematizar um pouco a questão. Ela pode também interessar a todos que efetuem pesquisas em cidades que não são as metropoles nacionais ou regionais e que portanto estão envolvidos na discussão sobre as cidades médias.
A discussão sobre o urbano brasileiro, em rápida transformação, ainda é motivo de muita polêmica. Podemos citar como exemplo o conceito de região metropolitana. De um conceito técnico/acadêmico passou a político, sendo que agora há regiões metropolitanas em alguns estados, com cidades-polo de 80 a 100.000 habitantes.
Sobre as cidade médias também ocorre muita discussão, pois é um exemplo de conhecimento em construção, portanto há que explicitar as escolhas realizadas.
O melhor levantamento empírico sobre a rede urbana brasileira é o “Rede de Influência das Cidades” (REGIC), cujo último levantamento, infelizmente, é de 2007. Por esse levamento e de acordo com pesquisadora do IBGE que participou desse levantamento (Maria Luisa Castello Branco) Campos não é considerada uma cidade média. Para essa autora (2), no RJ, temos Macaé, Cabo Frio e Angra dos Reis como cidades médias. Seu corte foi de 100 a 350 mil habitantes. Cidade maiores ou que estão nesta faixa de população, mas que pertencem à região metropolitana do Rio de Janeiro (que se soprepõe a qualquer outra classificação), não são consideradas cidades médias. No caso de Campos ele é considerada mais do que uma cidade média. Ela está entre as 40 maiores aglomerações urbanas do país e por isso chamadas pelo IBGE de Áreas de Concentração de População (ACP). No levantamento citado, cidades nesta condição também não foram consideradas cidades médias.
Claro, há outros levantamentos com outras classificações, como o de Lima e Lemos, que posto abaixo, que considera a faixa entre 100 a 500.000 habitantes. Neste caso Campos estaria classificado como um “Mesopólo industrial ou enclave agropecuário com base industrial não-consolidada, escala interna dos estabelecimentos, pobreza urbana, força de trabalho desqualificada, indústrias weberianas ou tradicionais”. Em outro trabalho coordenado por Lemos, citado no mesmo trabalho, Campos é considerado um “Mesopólo extrativo“.
A discussão aqui é preliminar. O Objetivo é lembrar que, em se tratando de trabalhos acadêmicos, não é possível ter e adotar noções e conceitos sem discussão. Há que contextualizar e explicitar as escolhas teóricas e metodológicas adotadas.
(1) Professor do curso de Geografia do Departamento de Geografia de Campos e dos Programas de Pós-Graduação em Geografia (PPG) e em Desenvolvimento Regional, Ambiente e Políticas Públicas (PPGDAP), Universidade Federal Fluminense, Campos dos Goytacazes/RJ.
(2) BRANCO, Maria Luisa Castello. Cidades Médias no Brasil. In: SPÓSITO, Eliseu Savério. Cidades Médias: Produção do Espaço Urbano e Regional. São Paulo: Expressão Popular, 2006. p. 245-277.
DOCUMENTOS:
REGIC 2007
Livro Cidades Médias e Região.

CIDADES MÉDIAS BRASILEIRAS: CARACTERÍSTICAS E DINÂMICAS URBANO-INDUSTRIAIS de Fabiano Maia Pereira e Mauro Borges Lemos

Cidades médias e pequenas teorias, conceitos e estudos de caso, da Rede Brasileira de Cidades Mèdias (REDBCM)