Essa Terra, Essa Cana…, poesia de Hélio Coelho

Transcrevo aqui a poesia Essa Terra, Essa Cana…, de Hélio Coelho, recitada por ele durante o Trabalho de Campo Paisagem e Cultura: um olhar sobre a Baixada Campista, e que é bastante representativa da região de Campos, cujo dinamismo econômico passou durante muito tempo pela cana-de-açúcar, cultura ainda representativa na paisagem campista.

ESSA TERRA, ESSA CANA…

Hélio Coelho

 

Cadê o vento que vinha

Suave do canavial?

É só fagulha, fuligem,

Poluição infernal.

Essa terra tá doente,

Palavrório não me engana

É só cana na fazenda,

Essa terra, essa cana…

Cadê a beleza do rio

Que passa pela cidade?

Só propaganda, desgosto,

Que gosto! Barbaridade…

E a água desce fraquinha,

Tadinha, pede passagem…

É choradeira na usina,

E é só cana na moagem.

Essa terra tá doente,

Palavrório não me engana,

É quebradeira de usina,

Essa terra, essa cana…

Não se bebe água boa,

Não tem peixe na lagoa,

Tempo vai, o tempo vem,

E o povo como é que vai, hein?

O povo nunca vai bem!

Tudo isso me sufoca,

Me angustia, me fulmina:

É só cana na fazenda

E dependência da usina!

Essa terra tá doente,

Palavrório não me engana:

Soca, ressoca, trissoca…

É só terra, é só cana.

……………………………………

Ah! Essa terra, essa…cana!

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