Relato da Discussão do Tema 5 do Ciclo de Debates de Geografia Urbana Histórica, realizado em 23/10/2014

Foi realizado no dia, 23/10/2014 das 9 às 12 horas, na sala 205 do Bloco C, a 5ª reunião do Ciclo de Debates de Geografia Urbana Histórica (homenagem a Maurício de Almeida Abreu). Na ocasião foi discutido o Tema 5Construindo uma geografia do passado: Rio de Janeiro, cidade portuária, século XVII, de Mauricio de Almeida Abreu, que foi apresentado por Bruna Caroline Magalhães de Oliveira.

Abaixo reproduzimos o relato da reunião realizado por Nathalie:

Relatório tema 5 – Construindo uma geografia do passado: Rio de janeiro, cidade portuária, século XVII, de Maurício de Almeida Abreu. Apresentação feita por Bruna Caroline Magalhães de Oliveira, em 23/10/2014.

Bruna Caroline realiza sua apresentação e Marcelo complementa com alguns pontos relevantes. Também divulga o trabalho de campo ” Paisagem e cultura: um olhar sobre a Baixada Campista” e Hélio Coelho relata sua experiência com a Baixada desde sua infância, destacando a festa de Santo Amaro como elemento cultural da cidade.

Marcelo propõe o debate e um participante comenta sobre a retirada do Morro do Castelo e como sua execução deve ter sido trabalhosa. Cita o artigo “Sobre a memória das cidades”, de Maurício de Almeida Abreu e como a revalorização e manutenção do passado se dá também pelos aspectos econômicos. Martins complementa sobre tal observação quanto a questão econômica influenciar diretamente na manutenção, decadência ou revalorização da paisagem. A economia molda as cidades em três escalas: global; nacional e local. O aspecto econômico é o vetor principal que configura o espaço geográfico. Hélio fala que infelizmente estamos atados por questões econômicas e somos o produto de tal relação. O próprio Marx falou que a determinação econômica é em última instância, ou seja, há muitos aspectos que envolvem e influenciam a sociedade, colocando o homem como protagonista. Gabriel Olavo comenta que a cidade foi concebida com a função econômica e como essas estruturas cristalizadas como elementos da paisagem são refuncionalizadas de acordo com o contexto histórico e econômico. Bruna Caroline destaca a questão do turismo, que traz novas configurações para a cidade. Marcelo fala sobre a intencionalidade dos documentos e como geralmente os documentos transmitem a visão das elites. Também complementa que, de forma indireta, é possível ter conhecimento das classes populares através de processos judiciais. Raphael avalia que nos documentos tem a história dos vencedores, mas não podemos nos afastar da história dos vencidos. No museu da Praça de São Salvador há um quadro que retrata a guerra do Paraguai destacando apenas as figuras políticas da época, enquanto os soldados que participaram de forma efetiva e lutaram na guerra estão a margem, na sombra. Para ilustrar essa questão, Hélio cita o poema Perguntas de um operário que lê, de Bertold Brecht: http://dariodasilva.wordpress.com/2012/10/29/perguntas-de-um-operario-que-le-bertold-brecht/. Martins ressalta que a Geografia do passado não desenfreia a realidade atual. O estudo do passado possui um distanciamento necessário para melhor análise, diferentemente da atualidade que é mais difícil de entendê-la, pois são diversas fontes divergentes e diferentes leituras. É difícil entender o passado, e também o presente, sempre há uma leitura parcial. Hélio comenta que toda ciência é humana. Não pode se afastar da academia, mas também é importante considerar os aspectos culturais. Marcelo agradece a participação de todos e encerra o debate.

Abaixo algumas fotos da reunião:

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