O cartel do transporte rodoviário brasileiro vai bem, obrigado

A coluna de Elio Gaspari de hoje traz uma notícia surpreendente: a de que as licitações públicas para as concessões de ônibus interestaduais, que estão sendo prometidas pelo menos desde o princípio do governo Lula, não sairão. É o que costuma acontecer no Brasil, insere-se manobras em legislações federais em um mercado de 4 bilhões anuais, como aconteceu com a medida provisória 638 aprovada pelo Congresso com enxertos, como é o caso da atribuição à ANTT de autorizar permissões ao invés das licitações públicas para esse mercado. Essa MP foi transformada  na LEI Nº 12.996, DE 18 JUNHO DE 2014.

Protestar é preciso, mas ficar atento às manipulações do poder econômico em conluio com o poder político também é necessário! Lamentável!

Abaixo parte da coluna de Elio Gaspari na Folha de São Paulo de 22/06/2014 que aborda o assunto :

ELIO GASPARI

Os cartéis dos ônibus ganharam a Copa

Enquanto a choldra torcia ou protestava, uma emenda de MP acabou com a licitação das concessões

No final de maio, com jeito de quem não quer nada, o Congresso aprovou e enviou ao Planalto o texto final da medida provisória 638. Nele, uma emenda destacada pelo senador Romero Jucá estabeleceu que as concessões de linhas de ônibus interestaduais serão distribuídas num regime de autorização pela Agência Nacional de Transportes Terrestres. A Constituição diz que isso deve ser feito em licitações públicas. Aquilo que a lei manda, e que o governo sempre prometeu fazer por meio de um processo racional e transparente, ficará na dependência das canetadas de transportecas. Serão canetadas num mercado de R$ 4 bilhões anuais, onde há 2.100 linhas, operadas por 210 empresas. Delas, 25 controlam metade do mercado. Vale lembrar que 2014 é um ano eleitoral e uma

parte do ervanário desse setor rola em dinheiro vivo. Nenhum parlamentar de qualquer partido ou candidato à Presidência da República reclamou. Todos, contudo, defendem a racionalização, transparência e moralização das concessões de transportes públicos.

Nesse mundo acontece de tudo. No tempo do DOI-Codi, havia a intimidade do senador Camilo Cola (Viação Itapemirim) com a turma do porão. Ele tinha um patrimônio declarado de US$ 154 milhões e informava um rendimento mensal de R$ 10 mil à Receita. Em tempos de PCC, houve a presença de seus representantes numa discussão em torno das vans de São Paulo. No encontro esteve o deputado estadual petista Luiz Moura, destacado integrante da corrente PTLM (PT de Lutas e de Massa), onde brilha o secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto.

A medida provisória 638 saiu do Planalto com a elegância de Van Persie e voltou do Congresso com a truculência de um Pepe. Chamava-se “Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica e Adensamento da Cadeia Produtiva de Veículos Automotores” ou “Inovar-Auto”. Tinha dois artigos, mas ganhou cerca de 30 contrabandos.

Desde o século passado, o governo anuncia que reordenará o setor de transportes com leilões e licitações. Em 2001, quando um projeto permitia a renovação das concessões por 15 anos, o deputado Aloizio Mercadante denunciava: “Isso é um escândalo. Onde está o ministro dos Transportes (…)? Ele é omisso ou conivente”. Em 2008, o governo disse que abriria uma licitação para leiloar 1.600 linhas. Nada, ficou para 2009, 2011 e 2013. Em todas as ocasiões, os empresários do setor combateram os modelos apresentados, sempre seguindo a canção: “Quem está fora não entra, quem está dentro não sai”. Às vezes, provavam que o governo estava legislando sobre coisas que não entendia. Em outros casos, os transportecas aceitavam as exigências destinadas a impedir o aparecimento de novos concorrentes.

Com o truque da MP, todo o poder irá para a ANTT. Sua maior glória vem de algo que não fez. Felizmente, não conseguiu tocar a maluquice do trem-bala.

Os transportes públicos urbanos são cartéis blindados em caixas-pretas. Os interestaduais funcionam melhor, mas repousam sobre uma estrutura legal caótica. O governo prometia que um dos legados da Copa seria a melhora da mobilidade urbana. Abandonou grandes obras prometidas para as cidades e aproveitaram a Copa para empurrar um retrocesso institucional na malha interestadual.

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/172361-os-carteis-dos-onibus-ganharam-a-copa.shtml

Terminário Rodovíario do Tietê - São Paulo/SP Fonte: http://www.mundodastribos.com/passagens-rodoviarias-tiete-telefone.html

Terminário Rodovíario do Tietê – São Paulo/SP
Fonte: http://www.mundodastribos.com/passagens-rodoviarias-tiete-telefone.html

 

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