Relatório da 2ª reunião, dia 20/03/2014

Abaixo o relatório da reunião do dia 20/03/2014 do 9° Grupo de Estudos de Geografia Histórica (2014-1), feito por Gabriel Olavo:

No dia 20/03/2014, a partir das 9 horas, realizou-se o 2 º encontro do  Grupo de “A Geografia e os dois pólos epistemológicos da Modernidade” (2014-1), na sala 105 do bloco F, no Pólo Universitário de Campos dos Goytacazes da Universidade Federal Fluminense.

Após a apresentação do grupo feita pelo coordenador Marcelo e uma rodada de apresentações, foi feita uma distribuição parcial das atividades e a leitura do relatório do último encontro. A participante Priscila justificou sua ausência do último encontro, pois a mesma participou do 3° Seminário de Formação Política dos Movimentos Sociais em Córdoba-ARG. Hélio fez uma intervenção sobre a sociologia do desenvolvimento latino americano. Priscila fala sobre a necessidade de uma comunicação entre os movimentos rurais brasileiros (MST, indígena, etc). Por conseguinte Bruna faz a apresentação do capítulo 2 do livro estudado intitulado: Os elementos da estrutura do mito da modernidade. Ela inicia justificando o título, que o mesmo surge através de um conflito do novo versus o velho, num processo de ruptura com o padrão dominante no modo de pensar, e que no caso moderno, se dá através da generalização ideológica e global. Sobre a questão da modernidade, Bruna apresenta a dificuldade de uma delimitação histórica: não existe um marco concreto, todavia, é possível caracterizar o momento pelas suas expressões, e uma delas emergem no contexto urbano europeu, (com maior expressão em Paris) essas cidades tem a postura de difusores das ideias de modernidade e seus padrões e conceitos estéticos se tornam padrão. Bruna ressalta a questão da representação do estado, que sob a influência moderna a representação geométrica da unidade territorial passa a ser a figura de reconhecimento e não mais a figura do rei, no momento anterior à revolução francesa. Bruna fala das bases ideológicas utópicas, construídas pela inversão do mundo conhecido versus o vivido, o real versus o racional no âmbito tangível as cidades como espaço de conflitos, aglutinador de pessoas e o papel da mobilidade populacional. Sobre o objetivo do autor neste capítulo, Bruna aponta que é de descrever os elementos e características da modernidade. Em seguida ela questiona: “-Nos encaixamos do projeto de modernidade?”. Para elucidação do texto, Bruna trouxe a música de Gilberto Gil chamada “Queremos Saber”. Após escutarmos a mesma, a apresentadora conclui que para conhecer melhor os processos se faz necessário um afastamento do real. Por conseguinte Marcelo inicia o debate explicando o título do capítulo como mito seriam as coisas que nos são contadas (lendas, mensagens, etc). Sobre a concepção científica, ele fala do novo como uma ruptura com o tradicional (A geografia representada por uma representação de um globo terrestre), numa possível negação ao passado, e levanta a questão da ruptura epistemológica como assunto para debate. Priscila Caetano aponta que o progresso aparece como uma justificativa, e exemplifica com o discurso do “fardo” do homem branco em levar a modernidade aos selvagens africanos. Hélio indica que Canudos aparece como uma espécie de desafio à modernidade, e em contraponto a esse período ele aponta a pressão do discurso elitista da ditadura militar dos anos 1950 como ideologia do novo e moderno. Marcelo fala do ufanismo presente no discurso das mídias em favor da ditadura militar: “Quem daria o golpe primeiro? A direita ou a ameaça comunista?” Priscila fala da posição européia enquanto “provedores” do desenvolvimento industrial. Bruna questiona: “Ainda estamos na modernidade?” E Olavo argumenta que estamos em um período pós-moderno, tendo em vista referências de comportamento da economia e arquitetura. Hélio fala que a modernidade/pós modernidade são mitos, pois usando uma citação de Ferreira Gullar: “Uma parte de mim é permanente: outra parte se sabe de repente”, explicando que as vezes é preciso mudar as coisas para continuarmos no mesmo. Marcelo indica que o capitalismo tem o poder de renovar-se, e exemplifica com a apropriação da figura de Che Guevara para vender produtos: “Desideologiza ideologizando”. Bruna Borges questiona a diferença do capitalismo de lugar para lugar. Hélio expõe que o Brasil vive a “modernidade tardiamente” dentro de um mesmo território, tempos culturais diferenciados, a exemplo disso a região Nordeste. Maria Luiza identifica a modernidade em constante mudança como uma estratégia de poder. Priscila critica o modelo de racionalidade brasileiro, e compara com a Argentina. O debate toma rumos de discussão sobre a idéia de progresso. Marcelo fala sobre a ideologia da idéia de progresso que associa-se sempre a melhora, a crescimento. Hélio ressalta que a exemplo disto está a obsolescência programada e que em linhas gerais as pessoas vêem Cuba como um país atrasado, já que não segue outros países capitalistas. A noção de bem-estar não é progresso. Ana exemplifica com uma pesquisa apresentada que pessoas pobres são mais felizes. Daiane fala sobre uma visão histórica tradicional com uma trajetória linear fazendo parte de um discurso moderno. Marcelo fala que sempre temos uma visão dual paradigmática: o bom e o mal, e que sempre mantemos essa visão sem correlacionar as possíveis nuances, enquanto isso a ciência se mantêm em uma posição de arrogância e detentora da verdade. Hélio fala sobre a influência do discurso que justificou a verticalização da estrutura urbana de Campos, em prol do moderno, do progresso. Após o professor Marcelo agradeceu a participação de todos e assim encerrou-se o encontro.

 

Segue abaixo o roteiro de apresentação do 2° capitulo “Os elementos da estrutura do mito da modernidade” apresentado pela aluna Bruna Magalhães.

Roteiro2

 

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em 09º GEGH 2014-1, Grupo de Estudos de Geografia Histórica

Os comentários estão desativados.