Relatório da 1ª reunião, dia 13/03/2014

Abaixo o relatório da reunião do dia 13/03/2014 do 9° Grupo de Estudos de Geografia Histórica (2014-1), feito por Bruna Magalhães:

O 1° encontro do 9° Grupo de Estudos de Geografia Histórica, realizado no dia 13/03/2014, começou com a apresentação do prof° e coordenador Marcelo Werner sobre a criação do grupo a partir de um estudo complementar no 1° semestre de 2009, acerca do tema Geografia Histórica. A dinâmica do grupo baseia-se na leitura e debate de um livro selecionado pelos participantes através de votação de livros previamente sugeridos pelo coordenador. As informações sobre o grupo estão disponíveis no blog (geohistorica.wordpress.com) que funciona como uma memória do que acontece durante os encontros. A sistemática adotada com a função dos participantes e o cronograma também encontram-se no blog. O apresentador expõe o capítulo com o auxílio de um roteiro e o debatedor, chamado também de provocador, inicia o debate com questões passíveis de discussão. O grupo possui abertura e liberdade para a participação de todos, pois não sendo uma competição, há a perspectiva de um ajudar o outro. A função do coordenador é também de não deixar que haja competição do saber, mas a participação de todos os presentes. Os relatos dos encontros são posteriormente livres para acesso no blog e lidos no início de cada encontro. Neste dia houve a apresentação dos integrantes, inclusive do professor, e logo após deu-se prosseguimento à dinâmica do grupo com a apresentação do integrante Martins, inaugurando os trabalhos, com a Introdução e o 1° capítulo do livro “Geografia e Modernidade”, de Paulo Cesar da Costa Gomes.

Martins iniciou sua fala destacando a dificuldade em obter o exemplar e o método adotado na escolha do livro em encontros anteriores de preparação, e seguiu com a leitura da contra-capa e das orelhas. Salientou a importância da obra, a pergunta “O que é geografia?” e atentou para a contextualização que o livro impõe. Na Introdução ressaltou a reformulação e a reforma do ensino, e que as ciências sociais apenas critica e que ainda há grande discussão se a geografia é exata ou humana, através do conflito com as ciências naturais. Falou da nova reformulação ocorrida recentemente na França e a diminuição da carga horária da geografia aqui no Brasil. Citou Bordieu ao destacar a geografia como ciência superficial e banal, que não consegue superar a relação natureza e cultura; pergunta “Qual o período exato que o autor se refere com relação a crise?” e sugere “1980/90” através da alegação de incapacidade explicativa. Pergunta novamente “O que seria então modernidade?”, pois o autor destaca o tempo todo a geografia e a modernidade e fala a partir do século XVIII. Neste caso, seriam “descobertas científicas”?! O livro é baseado na estrutura das revoluções, em grandes rupturas. Martins fala sobre relativizar o que é moderno, que o tradicional não dá conta da realidade, e que pensar coisas novas para novas explicações seria então o moderno. Frisa o fim da modernidade e o surgimento da pós-modernidade e o fato de caminharem juntas desde o século XVIII. Aborda a modernidade racionalista e os anos da década de 1970 com o esgotamento da modernidade, a crise da própria racionalidade e evidencia o questionamento, pois não explica a realidade. Ressalta como um dos exemplos concretos do fim do racionalismo positivista moderno a estrutura arquitetônica de Le Corbusier, e cita Brasília como cidade modernista por excelência, destacando grandes polígonos e a lógica matemática impregnada na construção da cidade, e evidencia a materialidade filosófica e que Oscar Niemeyer foi um discípulo de Le Corbusier. E evidencia os grandes problemas sociais no conjunto habitacional Pruitt Igoe, em St. Louis, EUA, que levou a sua demolição, se tornando um marco de uma fase de transição. Finalizando a introdução, Martins enfatiza a divisão do livro em 3 partes, feita pelo autor, para melhor compreensão do trabalho.

E assim, o mesmo prossegue com a apresentação, dando início a Parte 1 – O debate da modernidade, Capítulo 1 – Os dois pólos epistemológicos da modernidade. Martins começa frisando primeiro a racionalidade, que tem na razão sua maior expressividade, e em sequência alega que a vida é muito mais complexa do que a racionalidade, o positivismo.  Expõe que para fazer ciência, conhecer, você deve se afastar e ao mesmo tempo trabalhar metodicamente, e que para ser científico tem de haver um método claro que conduz o trabalho. E que a própria evolução da ciência e a técnica trará normas. Exemplifica com a técnica do cimento armado utilizada por Oscar Niemeyer. Fala também da periferia de Brasília que é comum a todas as outras periferias, e cita como exemplo as reformas ocorridas em cidades como Nova York e Paris. Destaca o que o autor fala sobre pós-modernidade, para nos situar na modernidade; de grandes modificações decorrentes das especializações das ciências; fala da matéria e energia, microfísica, limites que começam a se romper e que o limite entre as ciências naturais e sociais também. Salienta a metodologia das ciências naturais aplicada nas ciências sociais e vice-versa, e que o conhecimento envolve o que também não entendemos. Ressalta a unicidade da pós-modernidade como vias que levam a razão totalizante. Fala da racionalidade, do mito, da magia e da religião como epistemologia anarquista. Aponta saberes alternativos como racionalidade funcional e o privilégio à forma, os sistemas explicativos e a subjetividade. E evidencia dois núcleos da relação homem-natureza: o Século das Luzes com Auguste Comte e o Romantismo que via o homem como pertencente à natureza. Martins fala também do racionalismo e das contracorrentes, e das três grandes correntes do pensamento geográfico: nos anos da década de 1950, com a transformação da Geografia Tradicional; a Geografia Clássica e a Moderna. E finaliza ressaltando a dicotomia e as teses para superarem a dicotomia, e o livro como um trabalho amarrado entre geografia e modernidade.

O prof° Marcelo Werner faz uma breve intervenção e enfatiza que o trabalho não é uma estrutura linear, há um debate. E fala sobre como montar um objeto de pesquisa, sobre a simbologia na questão da modernidade e o desafio do imigrante, da desterritorialização e adaptação ao novo território. Ainda a respeito das contracorrentes frisa o conflito entre a racionalidade e a subjetividade, o novo e o tradicional e as possibilidades de paradigma, sendo este último entendido como a melhor explicação possível para um dilema científico, exemplificando com a teoria do Big Ban. Atenta para a concepção funcionalista, o que faz a Geografia Cultural, e abre o espaço para debate. Olavo destaca a arquitetura como marco diferenciador entre modernidade e pós-modernidade e Martins ressalta o conhecimento científico acumulado, o projeto modernista e funcionalista. Coloca-se em questão: “Seria a geografia tão necessária assim?”, “Será tão necessário questionar o que é geografia?”. É citado o livro “Admirável mundo novo”, de Aldous Huxley (1932), e frisa-se o fato de cada um possuir um papel. E novamente é exposto o argumento de que a geografia não consegue superar a dicotomia, e fala-se da questão da utilização e apropriação do conceito de paradigma, citando como exemplo os conceitos de primeira e segunda elaborados por Karl Marx. Por fim, evidencia-se que o conceito precisa ser discutido e aplicado, e o prof° e coordenador Marcelo Werner agradece a presença e a participação de todos e encerra o presente encontro.

 

Segue abaixo o Roteiro de Apresentação da Introdução e 1° Capítulo “Os dois polos epistemológicos da modernidade”, apresentado pelo participante Martins.

 

Roteiro cap. 1

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