Relatório da Reunião do 6º Grupo de Estudos de Geografia Histórica (2012-2) do dia 30.10.2012

No dia 30.10.2012 foram discutidos três capítulos da parte de Ontologia. O capítulo “Ontologia – O mal-estar espacial no fim do século XX”,  foi apresentado pelo Tadeu, que utilizou o roteiro a seguir:

 

Já o capítulo “Ontologia – Ser-tões: o universal no regionalismo de Graciliano Ramos, Mário de Andrade e Guimarães Rosa” foi apresentado por Priscila, que utilizou o seguinte roteiro:

MOREIRA, Ruy. Pensar e Ser em Geografia: ensaios de história, epistemologia e ontologia do espaço geográfico. São Paulo: Contexto, 2007.

CAPÍTULO: SER-TÕES: O UNIVERSAL NO REGIONALISMO DE GRACILIANO RAMOS, MÁRIO DE ANDRADE E GUIMARÃES ROSA

Apresentação: Priscila Viana Alves

Objetivo:

Dar vida geográfica à literatura, sobretudo por entender que nessa interseção se evidencia com mais clareza o espaço-tempo como ser-estar-do-homem-no-mundo = geograficidade

Espaço-temporalidade e literatura

O que possibilita a relação interdisciplinar é o espaço.

Habitualmente o espaço fica abstraído da contextualização de uma obra. A contextualização no tempo só possível quando é estabelecido no espaço. Não existe tempo fora do espaço e espaço fora do tempo. O real é o espaço + o tempo.

Não há obra que fuja disso.

É frequente a referência ao tempo e ao espaço na literatura brasileira.

Machado de Assis, Lima Barreto, Graciliano Ramos, Jorge Amado, Érico Veríssimo, Guimarães Rosa.

Personagens com suas tramas de vida confundidas com seu espaço e tempo, mesmo quando o objeto é a interioridade subjetiva– Grande Sertão Veredas– Fuga simbólica das estruturas espaço-temporais que amarram objetivamente a nossa existência.

Humanidade é humanidade007. no MUNDO.

Mas o que é o espaço nas obras desses escritores? É cenário?

Duas formas como o espaço intervém:

1- Contextualização no espaço-tempo. Exemplo: Dom Casmurro– O espaço é a própria estrutura da real da história.

2-Fazer uso da linguagem do mundo das formas, através dos signos espaciais.

Espaço como expressão do real– O espaço simbólico.

O viver humano é a unidade do simbólico e do real.

Interpretando o mundo pelo simbólico a literatura se aproveita do que a ciência menospreza.

Problema: Tomando de empréstimo a leitura simbólica do espaço a literatura acaba ironicamente por ser uma leitura espaço-temporal do mundo mais eficaz que a da geografia e da história.

Vidas Secas– No simbolismo da fala, o semi-árido objetivo da paisagem externa é a angústia, a opressão, a expulsão do homem da realidade social na paisagem interna e subjetiva do espírito. Na falta da água e seca do rio está a morte subjetivo-objetivo da vida. Espaços externo e interno se fundem e se confundem.

Porquê? A leitura mútua, a unidade objetivo-subjetiva das contradições da existência (des) humana do sertanejo.

A literatura não né alheia à realidade humana, se dela fala com a linguagem subjetiva do signo, isso não quer dizer falar menos da realidade.

São falas sobre o mundo, interpretação-representação do real.

Concepção positivista coloca a ciência e a arte em mundos separados.

Linguagem da ciência– objetiva e rigorosa.

Linguagem da arte– subjetiva e livre.

Nos acostumamos com esse padrão de (des) entendimento.

Falta calor humano a ciência.

Espaço numa leitura não dicotomizada do mundo, unificar a ciência e a arte numa mesma perspectiva de olhar, eliminando a dualidade objetivo-subjetivo da compreensão do homem.

Rico universo linguístico do espaço, tudo é signico.

Nomes das ruas, o desenho urbanístico, a estética das construções, a lógica da distribuição dos arranjos.

Tudo fala do mundo de vivência do próprio homem.

Machado– crítica da monarquia decadente, prenunciando a República.

Lima Barreto– crítica do regime republicano que já nasce gasto, sendo controlado pelas mesmas elites que direcionavam a monarquia.

Mesmo propósito de entender a realidade.

O problema é de paradigma.

“A diferença estaria especialmente no modo próprio de falar da relação da sensibilidade corpórea com o de fora. Trocando em miúdos, o primeiro contato que temos como seres humanos com o mundo se dá através dos sentidos, isto é, através do ato corpóreo de ver, ouvir, cheirar, atear, degustar, que nos faz senti-lo e percebê-lo como mundo. Depois, é através da reflexão inteligível sobre esse mundo dos sentidos que o imediato da percepção adquire o sentido mediato de entendimento. E, então, o aparente se explicita no discurso da teoria. A diferença está em como o cientista e o artista fazem isso: o primeiro descreve e o segundo narra.

A ciência faz o movimento de compreensão pela via do conceito. A arte faz pelo caminho mais livre dos símbolos da significação, enfatizando o sentido e o significado.

Isso não quer dizer que um olhar é mais correto, são apenas diferentes.

O romance brasileiro, em particular o regionalista dos anos 20 aos anos 50, é tão fundamentalmente uma análise crítico-espacial do real nacional quanto o é a melhor literatura das ciências sociais do período. Exemplos: Vidas secas-Graciliano Ramos e Macunaíma-Mário de Andrade—Metamorfose

espacial do povo brasileiro oriunda da industrialização/divórcio da cidade e do campo/ Trajeto rumo a um perfil urbano-industrial.

Diversos olhares imagéticos

Grande Sertão: Veredas, na trilha de uma geografia roseana

A geograficidade: o olhar geográfico sobre o espaço-

Os sertões de Graciliano Ramos, Mário de Andrade e Guimarães Rosa são e não são um mesmo.

O sertão é a geograficidade.

A Literatura talvez seja a forma mais pura de apreensão da geograficidade.

Fazer dialogar a geograficidade do romancista e a geograficidade do geógrafo pode ser assim um exercício dos mais estimulantes para a reflexão em geografia.

A geograficidade é o tão-ser de um ser-tão espacial que com ele(Guimarães Rosa) e por meio dele o geográfico se torna mundo, seja o recorte de sertão em que o homem estiver.

Por fim o capítulo “Ontologia – A identidade e a representação da diferença na geografia” foi apresentado por Mirian, que utilizou o roteiro a seguir:

Assim chegamos ao final da reunião.

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