Relatório da 1ª reunião do 6° Grupo de Estudos de Geografia Histórica (2012-2) – 02/10/2012

Complementando a postagem sobre a primeira reunião do 6° Grupo de Estudos de Geografia Histórica (https://geohistorica.wordpress.com/2012/10/03/1a-reuniao-do-6-grupo-de-estudos-de-geografia-historica-2012-2-02102012/), estou postando abaixo o relatório feito pela Nágila da reunião:

Relatório da primeira reunião do 6º Grupo de Estudos de Geografia Histórica (2012-2)

O coordenador Marcelo Werner inicia a reunião expondo a sistemática do grupo. Relata que o grupo está em sua 6ª edição e que foram estudados os livros: Território e História no Brasil de Antônio Carlos Robert de Moraes, A natureza do espaço: Técnica e tempo Razão e emoção de Milton Santos, Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal de Milton Santos, A questão da ideologia de Leandro Konder, Metamorfoses do Espaço Habitado de Milton Santos, Espaço e Método de Milton Santos. Comunica que o livro a ser discutido será o Ser e Pensar em Geografia de Ruy Moreira: Ensaios de História, epistemologia e ontologia do espaço geográfico.

Discorre sobre a organização do cronograma, que terá somente sete encontros, sendo um dia reservado para a Mostra de Extensão em que a Bolsista Tatiane Cardoso irá apresentar um banner sobre o grupo. Fala também do aumento de duração dos encontros que acontecerá das 14hr às 17hr30mim, essa compactação é justificada pela greve que aconteceu nas redes Universidades Federais. Informa que os encontros serão sempre na sala 207.

Marcelo fala que a cada encontro serão apresentados dois capítulos do livro, e que somente os veteranos irão apresentar os capítulos, deixando para os novos inscritos a função de debater, ou seja, levantar questões e duvidas. Ele ressalta a importante da leitura de todos os capítulos.

Diz que o grupo tem carga horária de 30 horas, que os participantes com 75% de freqüência receberão os certificados emitidos pela Pro-Reitoria de Extensão da UFF.

Expõe que sua função é coordenar o grupo, que em caso de eventualidades alguém o substitui para que a reunião ocorra normalmente.

Comenta que a cada encontro terá um apresentador que terá que fazer uma leitura sistematizada, ressaltando os pontos mais importantes, anotando as idéias principais, elaborando um roteiro, que no dia da apresentação terá que ser entregue aos demais participantes para o acompanhamento da apresentação. Cada apresentação terá 30 minutos. E que o interessante é que os ouvintes façam a leitura anotando numa folha a parte os pontos importantes para melhor desempenho. Diz que o roteiro de todas as apresentações será anexado no blog do grupo, informa que neste blog tem toda a memória do grupo, daí a importância da elaboração do roteiro.

Fala que o ideal é que cada debatedor leia o texto destacando questões e duvidas para debate, e em seguida abrirá um debate geral no qual o coordenador acompanha o debate, trazendo o assunto para o texto e comentando aquilo que é importante e não foi muito destacado.

Explica que todos os encontros terão um relator, e todos os relatórios serão posto do Blog do grupo.

Diz que neste blog são postados todos os resumos, atividades realizadas, notícias de eventos, indicações de textos e livros. Fala que foi criada uma pagina no facebook para que sejam disponibilizadas as postagens do blog na pagina: facebook.com/geohistorica. Comunica que também tem uma pagina no twitter com a mesma função, fala da existência de uma lista de mensagens, onde são enviadas as postagens do blog e outros avisos de interesse e ainda o e-mail do grupo.

Em seguida abre um espaço para que os participantes escolham os capítulos a serem apresentados ou debatidos.

Discorre também sobre a geografia histórica, comentando que no próximo dia 11 terá uma oficina: “O Espaço como acumulação desigual de tempos”, que já foi apresentado duas vezes, sendo um delas no ENG 2012, com a participação dos bolsistas.

Marcelo explica que para estudar o presente, tem que se fazer uma retomada, por que o espaço não aparece do nada, e que periodização é importante, que o eixo da linha do tempo se cruza, são a sucessões de acontecimentos no tempo, que por alguns autores é tratado de diacronia e por Milton Santos de Eixo das sucessões.

A Diacronia dá conta dessa passagem do tempo, as coisas se sucedem, as coisas acontecem uma depois da outra, e ao mesmo tempo vem a periodização que tem certa homogeneidade interna.

A sincronia vem de sincronismo, sempre sincronizado, vivendo no mesmo tempo, Milton chama de coexistência, que em certo momento há a ruptura, tem sempre um fato que gera mudança, há uma secessão dentro do período que está em equilíbrio.

Marcelo comenta que no primeiro capitulo do livro de Ruy Moreira em que discutiremos, fez a periodização, começou com Geografia e Geógrafos na Antiguidade até chegar à Geografia e Geógrafos no capitalismo.

Continua dizendo que a geografia histórica trabalha com o presente que deixou de ser, um presente histórico, que foi substituído por outros presentes.

Diz que periodizaram a Idade Media, pois durou mil anos, e tinha vestígios que caracterizava cada período.

Afirma que a geografia estuda o lugar e não apenas o presente do lugar, fala que a geografia tende mais trabalhar com a sincronia e a história com a sucessão dos acontecimentos, a diacronia, mas isso não é lei.

Então a abordagem espacial, as categorias que a geografia utiliza são formas de pensar a realidade, a história tem outros métodos. O método é geográfico, essa é a principal diferença entra a geografia e a história.

Marcelo abre o intervalo.

Marcelo passa para Ana apresentar o capitulo “As formas da Geografia e do trabalho do geógrafo no tempo”, do livro “Ser e Pensar em Geografia” de Ruy Moreira.

Ana começa sua apresentação dizendo que o autor faz uma retrospectiva da Geografia. Diz que Moreira compara o geógrafo ao cineasta, pois as idéias e a câmara foram em sua unicidade o perfil do geógrafo, mas faz uma critica: dizendo que as idéias dos geógrafos estão confusas.

Ana fala da observação que fez no Encontro Nacional de Geógrafos, em que muitos perdiam o foco geográfico, citando um exemplo de um trabalho sobre Lady Gaga. Comenta sobre o estado de confusão em que se encontram as idéias na geografia, e assim na cabeça dos geógrafos, e a falta de correta orientação à máquina explicam os produtos que têm saído de nossas produções, muitos deles de qualidade discutível, mas sem uma cara geográfica discernível freqüentemente.

Comenta que Ruy discorre sobre as formas de geografia e como representavam os geógrafos em cada período, Que na Antiguidade tinha mais cartógrafos, pela necessidade de localização. Explica que na Antiguidade, a geografia é um registro cartográfico de povos e territórios. Estados, viajantes e comerciantes requerem do geógrafo as informações de caráter estratégico que se orientem em seus deslocamentos no interior dos modos espaciais de vida de cada povo.

Diz que a geografia medieval é uma extensão da Bíblia e o geógrafo um cartógrafo do fantástico e que no Renascimento, a geografia é uma forma de cosmologia destinada a ajudar e conceber o mundo como um grande sistema matemático-mecânico e o geógrafo é transformado num cartógrafo do movimento os corpos celestes em seus rebatimentos geodésicos sobre a superfície terrestre, referendando uma visão de mundo natural e dessacralizada. E complementa que nesse período não ocorre à ligação com a bíblia.

Fala que entre o Renascimento e o Iluminismo a geografia se duplica: de um lado volta a ser uma cartografia do fantástico, de outro lado é uma cartografia da precisão.

Diz que no século XVIII, Iluminista, marcado pela revolução industrial e pela ascensão da burguesia à condição de classe dominante, e a consolidação da geografia e de um geógrafo que mapeie o mundo. Nesse mesmo momento a Europa se achava civilizada, e que os outros precisavam ser socializados, chamando aqueles que não eram europeus de bárbaros, achavam que fariam um favor a eles em suas conquistas territoriais.

Diz que no século XX, consagra a geografia como a ciência do espaço geográfico como especialista de sua organização. Fala que nesse momento a localização e regiões vão ter mais relevância.

Explica que o perfil do geógrafo ainda hoje existente possui a tarefa de identificar as demarcações dos espaços diferenciados a partir da arma teórica da região, substituída hoje pela teoria dos espaços em rede.

E diz que a cartografia e o conceito de paisagem vêm sendo destacado, e a paisagem nos dá um real portador do visível. Fala que não tinham uma leitura e reflexão sobre os dados, eram dados sobre dados. Terminando sua apresentação.

Marcelo passa para o Olavo debater.

Olavo abre o debate criticando, que a obra fala da história da geografia e atuação do geógrafo, mas não contextualiza o método, alegando que não só as técnicas e câmeras que faz um geógrafo e geografia.

Diz que não é só a geografia que precisa de outras ciências, mas as outras também precisam dos saberes geográfico, e que mesmo precisando buscar em outras ciências, a geografia tem suas teorias.

Fala da Mutação do geógrafo ao longo do tempo, e que as circunstâncias influenciam no saber geográfico, e que a geografia hoje é assim graças esses acúmulos de saberes, dizendo que a geografia vai se moldando. Pergunta como isso influencia o geógrafo hoje.

Marcelo abre o debate geral

Ana comenta que a geografia aborda tudo e nada ao mesmo tempo, e que por isso a geografia acaba saindo do foco.

Tatiane reforça que esse é um problema antigo, que o objeto de estudo e os métodos geográficos foi criados com o tempo.

Ana diz que a geografia hoje não é mais evoluída, depende do foco de seu estudo.

Para Mirian a geografia servia aos interesses da época, a geografia tem que saber de tudo, porque o espaço é tudo, o geógrafo sabe de tudo e não é especialista em nada.

Priscila explica o significado de “idéias” no texto que seriam teorias e “câmera” as técnicas, diz que hoje as mudanças ocorrem muito rápido e que a geografia lida com a representação do real, só que não consegui acompanhar essas mudanças. Diz que o problema é que pensam que tudo é espaço. Relata uma pesquisa no ENG falando sobre o espaço nos games, criticando que não tinha nenhuma utilidade, explicando que o trabalho deveria está nas práticas de ensino, assim teria uma utilidade.

Gabby fala de suas pesquisas e o quanto foi criticada, pois estuda como o homem se organiza, cultiva, se desenvolve num espaço, e que teve que se apropriar dos conhecimentos antropológicos para entender melhor.

Martins diz que para se entender o espaço não basta só à geografia, fala que a cartografia é importante para a geografia, que o geógrafo e cartógrafo eram a mesma pessoa, mas depois a cartografia se tornou uma área independente.

Marcelo explica que a câmeras são as técnicas, as idéias são as teorias. Que hoje o mundo se transforma tanto que é fluido, e o desafio dos geógrafos é acompanhar essas mudanças.

Priscila anuncia a semana de licenciatura; Marcelo encerra a reunião.

Abaixo o resumo utilizado por Ana Carolina para sua apresentação:

UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE/ POLO CAMPOS DOS GOYTACAZES

Ação de Extensão: Grupo de Estudos de Geografia Histórica

Coordenador: Marcelo Werner da Silva

 

MOREIRA, Ruy. Pensar e Ser em Geografia: ensaios de história, epistemologia e ontologia do espaço geográfico. São Paulo: Contexto, 2007.

 

As Formas da Geografia e do Trabalho do Geógrafo no Tempo

 

“As ideias e a câmara foram em sua unicidade o perfil do geógrafo” (p. 13).

 

“O estado de confusão em que se encontram as ideias na geografia, e assim na cabeça dos geógrafos, e a falta de correta orientação à máquina explicam os produtos que têm saído de nossas produções, muitos deles de qualidade indiscutível, mas sem uma cara geográfica discernível frequentemente” (p. 13).

 

“Na Antiguidade, a geografia é um registro cartográfico de povos e territórios. Estados, viajantes e comerciantes requerem do geógrafo as informações de caráter estratégico que se orientem em seus deslocamentos no interior dos modos espaciais de vida de cada povo” (p.14).

 

“A geografia medieval é uma extensão da Bíblia e o geógrafo um cartógrafo do fantástico” (p. 14).

 

“No Renascimento, a geografia é uma forma de cosmologia destinada a ajudar e conceber o mundo como um grande sistema matemático-mecânico. E o geógrafo é transformado num cartógrafo do movimento os corpos celestes em seus rebatimentos geodésicos sobre a superfície terrestre, referendando uma visão de mundo natural e dessacralizada” (p. 14).

 

Entre o Renascimento e o Iluminismo a geografia se duplica: de um lado volta a ser uma cartografia do fantástico, de outro lado é uma cartografia da precisão.

 

No século XVIII, Iluminista, marcado pela revolução industrial e pela ascensão da burguesia à condição de classe dominante, é a consolidação da geografia e de um geógrafo que mapeie o mundo.

 

“O século XIX e as primeiras décadas do século XX são o momento de uma nova duplicação: de um lado surge a geografia da civilização e de outro lado a geografia dos grandes arranjos” (p. 15).

 

“O século XX, consagra a geografia como a ciência do espaço geográfico como especialista de sua organização” (p. 15).

 

O perfil do geógrafo ainda hoje existente possui a tarefa de identificar as demarcações dos espaços diferenciados a partir da arma teórica da região, substituída hoje pela teoria dos espaços em rede.

 

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Arquivado em 06º GEGH 2012-2, Grupo de Estudos de Geografia Histórica

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