Relatório da Reunião do dia 22/05/2012

Abaixo o relatório produzido por Tatiane para a reunião do dia 22.05.2012:

A reunião se inicia com o informe de Ranna sobre a Semana dos Mosaicos que ocorreu no IFF do dia 28 de junho a 1 de julho. Em seguida damos inicio a leitura do secretariado realizado por Tatiane Cardoso.

Em seguida, Geane inicia a apresentação do capítulo 5, “Paisagem e Espaço”.  Ela fala a respeito da confusão sobre paisagem e região, e que hoje essa confusão já não é mais possível. Porque geografia não estuda mais a paisagem, hoje o objeto de estudo dela é o espaço. Carl Sauer divide a paisagem em duas: paisagem natural e artificial, e que a ideia de paisagem natural é muito difícil de ver hoje em dia, e que paisagem artificial é a paisagem que já foi modificada pelo homem.

Paisagem e produção estão relacionadas aos tipos de instrumentos de trabalho utilizados na produção. A paisagem urbana é heterogênea e existem vários níveis de produção, pois hoje esses instrumentos estão interligados. E que os instrumentos passaram do individual para o coletivo.

Ranna segue apresentando o capítulo 5. Ela inicia pelo tópico 7 “Uma permanente mudança”, que se dá através das novas técnicas e dos novos modos de produção. A paisagem é um objeto de mudanças e que esta é uma marca do que aquela área sofreu. No caso da produção você consegue determinar uma data para a produção deste material, no entanto não há como você datar a produção da paisagem.

Em relação às mutações da paisagem, ela cita o exemplo de uma grande avenida, que com o passar dos horários ela muda de função.             O espaço é resultado da ação do homem sobre o próprio espaço.

Marcelo avisa que não irá poder ficar com o grupo hoje, pois, terá que dar atenção a banca de concurso em que ele está participando.

Amanda, a comentadora, segue falando que a duvida dela é que Milton Santos diz que paisagem não é espaço. E pede ajuda ao grupo para entender o espaço.

Tadeu comenta que paisagem se constitui como um concreto, já o espaço pode se perceber como uma abstração que produz esse concreto paisagístico.

Já José Filippe fala sobre as diferentes percepções da paisagem a depender do ponto de visão/análise. Para Tatiane o espaço é o casamento da sociedade com a paisagem.

Para Mirian a paisagem está a todo o momento em metamorfose, fala também sobre a contradição na construção e desconstrução dos conceitos.

José Felippe fala sobre as disparidades da abordagem geográfica no ensino fundamental e médio em comparação com as discussões acadêmicas sobre a geografia.

Tatiane continua falando sobre essa diferença de conteúdos do ensino nas escolas e na academia.

Hamilton fala sobre a importância da percepção da paisagem no ensino escolar, a partir das definições de Carl Sauer.

José Felippe aponta que alunos no ensino fundamental já possuem a capacidade de distinguir e abstrair teoricamente as diferenças na abordagem do espaço.

Para Ana Carolina a percepção não está vinculada somente a visão, mais também a outros sentidos, para a compreensão da paisagem como um todo.

Ranna aponta como exemplo de percepção o filme “Janela da Alma” no qual pessoas cegas produziam fotografias a partir de outros sentidos.

Tatiane fala sobre os tipos de paisagem natural e paisagem artificial.

Hélio fala sobre as ideias marxistas comparando com esses tipos de paisagem, com as idéias de trabalho morto e trabalho vivo.

Tatiane questiona sobre a existência da paisagem natural.

Mirian aponta como o homem sendo um ser natural, portanto as alterações dele no espaço são naturais.

José Phelippe ressalta que estamos discutindo embasados numa definição de Milton Santos.

Hélio aponta que a Praça São Salvador possui 100 anos de idade e se mantêm relativamente nos mesmos moldes, apesar das modificações e reformas e atrela essas modificações como exemplos da ligação entre a paisagem e ao espaço.

Tatiane destaca como uma análise sobre a metodologia da Geografia Histórica, como o “presente de então” representa um recorte no período pra fins de análise.

Para Tadeu o homem contemporâneo atua com máquinas pesadas e produz de uma forma diferente de como atuava quando habitava em maior número o campo.

Hélio fala sobre a atuação capitalista da produção social refletindo sobre o espaço, e como se constata essa ação sobre uma ótica marxista.

Tatiane fala que segundo Marx para que posteriormente exista uma sociedade baseada no marxismo, se faz necessário que exista o capitalismo, até um determinado momento.

Hélio rebate alegando que isso faz parte da práxis.

Letícia argumenta que prefere os temas abordados sobre a geografia física, pois crê que não existe um estado em oposição ao modo de produção capitalista e não vai existir por conta da produção do capital.

Hélio questiona sobre geografia, como é abordado o marxismo na ciência geográfica.

Para Tatiane existem divergências entre os modos de produção, e como se pode contrapor e entendê-los imparcialmente.

Hélio fala que isso é a honestidade intelectual, apresentar as duas vertentes de abordagem.

Tatiane fala que é visível na academia à falta desta ética e professores tentam induzir os alunos a pensar da mesma forma que eles.

Hélio fala que sala de aula não é palanque, não é lugar de se discutir partidarismo nem sindicalismo, mais de se discutir e fazer política, porém para abordar esses modos de produção é necessário abordar a crise dos paradigmas.

Para José Felippe o papel da geografia que ainda está se construído é observar a produção do espaço concreto a partir da paisagem, onde essa paisagem se apresenta ideologicamente manipulada. A consciência capitalista tem data e hora de criação, portanto não existiu sempre. Exemplifica que a lógica de reprodução se dá como no período escravocrata, onde antigos escravos livres possuiam escravos.

José Felippe começa a apresentar o capítulo 6 falando que a abordagem de Milton Santos neste capítulo se dá sobre três conceitos: Paisagem, Configuração do Território e Espaço. O concreto impresso no espaço, a partir de objetos naturais (algo natural de determinado ambiente) e artificiais (contrário) que estão em constante interação.

Espaço é então a configuração do território, a paisagem, mas também é a sociedade, esta última dando um maior dinamismo na produção dos outros dois primeiros. Compõe-se de elementos fixos e fluxos que interagem e são interdependentes. Esses fixos são processos imediatos do trabalho, num caráter instrumental, como exemplo, correios, estradas, estações ferroviárias, que vão dar maior dinamismo à circulação. Já os fluxos são os produtos, o consumo, os objetos fabricados, que utilizarão dos fixos para existir.

Exemplifica a China como um país com alto nível de circulação com bons sistemas de fluxos para dar conta de sua produção de objetos (fixos).

No tempo histórico, os fixos são criados temporariamente e vão se expandindo à medida que outros fatores também se modificam, porém o avanço das técnicas tende a criar uma homogeneização dos fluxos.

Cita a nova divisão internacional do trabalho como estruturas que modificam o espaço local, inseridos na lógica da globalização criando novos fixos a partir da necessidade do escoamento dos fluxos.

Tudo isso ocorre em vários recortes temporais, e essa variável é fundamental. E esses recortes de tempos são chamados de regimes que são necessários para fins de análise.

O fim de determinado ciclo é chamado de ruptura. E que esse fim não se dá por si só, mais têm de ser forçado por um agente social.

No final da apresentação de José Felippe, a debatedora Priscila fala que é importante discutir os fixos e os fluxos, os objetos naturais e a periodização intermediando esses fatores.

Marcelo fala que achava que essas discussões teóricas ele só encontraria no livro Natureza do Espaço, mais neste pequeno livro que discutimos esse semestre o autor propõe uma discussão muito interessante.

Tadeu fala que nunca havia analisado o espaço sobre as perspectivas da geografia e comenta que isso enriquece muito seus estudos. Fala também que o homem fica “metamorfoseado” na paisagem com o passar dos tempos, e que mesmo com o avanço tecnológico existem focos de resistência, como a produção artesanal de pianos.

Luis Felipe retoma a discussão sobre a imparcialidade da academia sobre os alunos.

Mirian retoma a fala sobre os fixos e fluxos na constituição do espaço econômico e que este por sua hegemonia na configuração social exclui o espaço geográfico.

Luis Felippe fala que analisou o texto sobre uma abordagem econômica, exemplificando as ações de grandes produtores de mercado como a China.

Para Tatiane a China não estava inserida no contexto socialista como se observa na teoria, e por isso mais tarde, sofre uma ruptura em seu modo de governo tornando-se liberal.

Hélio atribui as práticas da China como produtor capitalista a uma facção partidária que domina há muitos anos o governo. E essas práticas são instrumentais como táticas de mercado.

Para Tadeu os moldes capitalistas são perversos, no contexto da América Latina observamos uma série de problemas sociais, que enquanto alguns países são hegemônicos outros se mantêm à margem do processo produtivo e do consumo.

Marcelo fala sobre o espaço banal que Milton Santos define em outros livros como espaço do cotidiano, aquele usado efetivamente pelas populações em seu dia-a-dia. Fala também sobre notícias que veiculavam que o Brasil passa hoje por uma desindustrialização, que afetará o consumo do povo brasileiro, onde há uma projeção de falta de produtos básicos, diferente da Suécia que passa pelo mesmo processo, porém, é plenamente provida dos produtos que o povo consome.

Para Luis Felippe a análise dos fixos e dos fluxos nos permite fazer uma projeção de como se dará a organização espacial no futuro.

Marcelo fala que o capitalismo quando cresce muito produz exclusões a partir do custo de vida, como o exemplo São Paulo. Aponta a relação de tempo e espaço interessante na discussão do texto, fala também sobre o último capítulo onde Milton Santos nos dá subsídios ao planejamento para um tempo futuro. Em seguida encerra a reunião.

A apresentação do cap. 5 não teve resumo entregue. Já na apresentação do cap. 6, José Felippe apresentou o seguinte  quadro interpretativo do capítulo:

Esquema de José Felippe para o Capítulo 6 do livro Metamorfoses do Espaço Habitado, de Milton Santos

 

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Arquivado em 05º GEGH 2012-1, Grupo de Estudos de Geografia Histórica

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