Relato da reunião do dia 27/03/2012

Relatório da Reunião do Dia 27 de Março de 2012

            A reunião do Grupo de Estudos de Geografia Histórica no dia 27 de março de 2012, se iniciou com a apresentação dos novos participantes da ação de extensão. O coordenador Marcelo Werner da Silva explicou que toda reunião deverá se iniciada com a leitura das atas das reuniões anteriores, estas também podem ser conferidas no blog do grupo de estudos.

A relatora, Tatiane Cardoso, lê a ata da reunião passada. E logo após deu início as apresentações do livro “Espaço e Método”, do Milton Santos, especificamente fazendo uma leitura da introdução e do capítulo 1. Tatiane Cardoso faz uma análise sobre o espaço ser o fator de produção social, e que devemos levar em consideração as instâncias, que não devem ser analisadas separadamente, bem como o espaço. O espaço está diretamente relacionado com a sociedade. E que as formas não são só uma fração do social, mas também conteúdos. Ela apresentou a diferenciação entre lugar e localização. Também disse que a análise exige uma periodização, suscetível a erros, pois depende da interpretação do pesquisador.  Enfatizou a importância das escalas, pois não se tem uma hoje que não esteja inserida no contexto global e que existe no espaço uma hierarquização dos lugares. Ressaltou a questão da natureza natural que deixa de existir. Finaliza a sua apresentação dizendo que o conceito de abstração só passa a ser compreendido dentro de um contexto (elementos + instâncias + espaço), dentro de um todo, de forma quantitativa e qualitativa.

Priscila, comentadora da reunião, propõe algumas questões a serem debatidas entre os participantes do grupo, tais como, espaço causador de desigualdade social; formas conteúdos; elementos do espaço, em que os homens “improdutivos” não tem participação na produção, também participam na constituição do espaço; as transnacionais e instituições, como igrejas que até se tornam firmas para benefício próprio; e que o conceito não deve ser cristalizado, deve ser atualizado, de acordo com o contexto geográfico,em relação das técnicas, pois estas vão interagir com o espaço. Faz uma ressalva sobre a análise das partes, mas também abarcar o total, para garantir a concretude. Por último, fala sobre o lugar, que é uma fração, que só ganha concretude quando se analisa o todo, o real, pois aí sim você terá uma significação.

O debate se inicia com Martins falando da teoria dos sistemas onde faz uma crítica ao sistema produtivo. Hélio diz que o autor compreende a obra marxista. Hamilton comenta que o autor faz um esforço para que a gente observe elementos de análise tanto qualitativos quanto quantitativos para que se faça uma análise do espaço e das formas dialéticas. José Felipe coloca que o autor procurou cientificar o estudo do espaço. Marcelo ressalta os elementos do espaço como estruturas, atentando que na verdade os objetos não são só objetos, mas formas, conteúdos. Ainda expõe que um objeto aparente incorpora os materiais, seria o que Marx chama de trabalho-morto. José Felipe chama a atenção para a intencionalidade do meio natural que já não existe devido à intencionalidade. Martins complementa dizendo que este meio já está “territorializado”. Tatiane Cardoso ressalva que tem uma decisão de não tocar, e isso já faz com que se tenha uma intenção, e desde que o homem se torna social não existe mais a primeira natureza.

A segunda apresentação da reunião é realizada pelo participante Gabriel Olavo Francisco Forti, que ficou responsável pelo capítulo 2. O apresentador inicia falando que a dimensão temporal é de fundamental importância na consideração analítica do espaço, pois passa por diferentes épocas e análises de formas diversas. E que os sistemas permitem que se entenda uma análise de produção histórica, que é responsável por facilitar a compreensão da transição de um sistema para outro. Comenta da associação dos países pólos, ou colonizadores, que se encontra em maior parte na Europa, e que estes países se apropriam de espaços e começam a atuar de forma exploratória. Enfatiza que na Industrialização o meio agrícola deixa de existir como aldeia e passa a ser mais complexo. E que na Revolução Industrial há um grande avanço tecnológico e nos transportes, propiciando uma produção em série, a qual permite uma fluidez maior, e não só pensando no comércio interno, como também no comércio externo. Já a indústria vai se ligar ao campo tecnológico, trazendo uma evolução contínua. Gabriel Olavo exemplifica com a evolução da comunicação, que evolui e está em franco desenvolvimento, com o surgimento e novas técnicas, o que permite transformações e dinâmica no espaço, não só em grandes países, como em países de terceiro mundo, que chega de uma forma tardia. Ainda comenta que a indústria se encontra refém da inovação tecnológica, e faz uma leitura da citação do livro abordado na pág. 28, sobre recursos e dinâmica entre os países.  Conclui sua apresentação falando sobre a metodologia de análise do espaço e sobre a evolução técnica que rompe com os métodos de evolução.

Hanna fica responsável por comentar o capítulo 2, e ressalta a dimensão temporal; a influência do global; se questiona se os subespaços seriam locais, pois para ela os mesmo deveriam possuir uma pequena autonomia, e se questiona que autonomia seria essa; coloca uma questão para o grupo: será que o capitalismo e industrialização são sinônimos? ; e por ultimo, o que seriam as técnicas?

O debate se inicia com Gabriel Olavo falando sobre a modernização do espaço, que possui uma dimensão de conservadorismo. Hélio fala sobre os diferentes momentos dos lugares, e por isso entramos em tempos modernos, em tempos históricos diferentes, em relação a outros países. Marcelo ressalta o efeito demonstração, quando surge uma nova técnica, a gente não pode retroceder, pois todos vão querer essa nova técnica. E mais cedo ou mais tarde, essas modernizações tecnológicas vão chegar aos lugares. Priscila diz que a modernização técnica cria lugares privilegiados sobre outros. E Marcelo finaliza a reunião dizendo que o desenvolvimento tecnológico se encontra nos centros, e que a periferia é que consome.

Texto de Ana Carolina Soares Cruz

 Roteiro da Apresentação e Cap. 1 – Apresentação de Tatiane Cardoso Tavares

 

INTRODUÇÃO

Espaço = Relação Sociedade\Natureza

Histórico = Localizados

 

Espaço: Fator da evolução social

Espaço ele contém e é contido pelas demais instâncias

 

Paisagem: configuração geográfica ou configuração espacial

 

Formas conteúdo → Sociedade → Funções → Processos

Objetos sociais – Processos representativos de uma sociedade em um dado momento.

 

CAPÍTULO 1: O ESPAÇO E SEUS ELEMENTOS: QUESTÕES DE MÉTODO

 

Sociedade ↗ Espaço → Totalidade

↘ Tempo  → Totalidade

 

Espaço = Totalidade/ Sociedade

 

Elementos do Espaço:

Homens –  Firmas –    Instituições –        Meio Ecológico –    Infraestrutura

↓              ↓                       ↓                             ↓                           ↓

Trabalho Produção    Ordem/Normas         Base física          Materialização

de trabalho     do trabalho Humano

 

Conceito: é geralmente traduzida como significando uma abstração extraída da observação de fatos particulares.

 

O real é o todo/ o lugar é uma abstração do real que está lá no lugar

Roteiro do cap. 2 – Apresentação de  Gabriel Olavo Francisco Forti

 

ROTEIRO DE APRESENTAÇÃO DO CAP. 2 – DIMENSÃO TEMPORAL E SISTEMAS ESPACIAIS NO TERCEIRO MUNDO.

  • A dimensão temporal é de fundamental importância na consideração analítica do espaço, pois a partir da dimensão histórica, podemos ir além do nível de análise corográfico.
  • Os sistemas, os elementos naquele espaço, vão depender do que já ocorreu anteriormente ali ou não, vão coexistir ou não, remetendo a análise temporal para entendimento de sua dinâmica.
  • Milton critica os estudos espaciais, pois eles freqüentemente tentam representar situações atuais como conseqüências de condições no passado e se tornam imprecisos.
  • FUNDAMENTOS DE UMA PERIODIZAÇÃO
  • Milton aponta que cada sistema temporal coincide com um período histórico, e esses períodos são sistemas que coincidem com as modernizações. Desse modo, haveria cinco períodos:

1 – O período do comércio em grande escala (a partir dos fins do século XV até mais ou menos 1620);

2 – O período manufatureiro (1620-1750)

3 – O período da Revolução Industrial (1750-1870)

4 – O período Industrial (1870 – 1945)

5 – O período Tecnológico

 

  • Comandado por uma série de variáveis aplicadas a cada período , a ação no espaço foi dada de uma forma diferente, portanto, fazendo uma análise histórica detalhada, é possível identificar como se deu a evolução e transição de um período para o outro de determinado espaço e traçar também similaridades e divergências em cada lugar.
  • PERÍODOS HISTÓRICOS
  • Fala que (…) “a história dos países subdesenvolvidos, está ligada as conquistas árabes”, que serviram como um fomento a atividade colonizadora. Porém foram limitadas pelo transporte usado por esse povo (lombo de animais, os quais limitavam o intercâmbio).
  • Após, fala-se do vínculo dos grandes impérios (romano, grego..) que conquistavam territórios e um dos meios de ocupação desses espaços era com instalação de cidades.
  • 1 – COMÉRCIO EM GRANDE ESCALA
  • “O comércio assim realizado se apoiou sobretudo no excedente da produção agrícola, cuja estrutura, todavia não teve o poder de alterar.”
  • O comércio como um meio de relação entre os países pólo e países da periferia, como ainda uma ferramenta pré-capitalista e depois capitalista gerando lucros para os países pólo.
  • O comércio como motor do avanço agrícola e do avanço nos transportes.
  • 2 – MANUFATUREIRO
  • “As cidades enriquecidas, podiam com meios maiores, dedicar-se a uma atividade que permitirá a instalação do segundo período o da manufatura.”
  • 3 – INDUSTRIALIZAÇÃO
  • Esse período é marcado pela desvinculação existencial do agrícola ao comércio, passando assim para uma etapa seguinte que é a urbanização.
  • A matéria-prima ainda era local, e a produção para consumo interno por conta da ineficiência do transporte marítimo.
  • 4 – REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
  • Novas tecnologias e novas formas de organização, não só na produção, mais também na energia e no transporte.
  • Um país pólo tendo uma colônia tem a possibilidade de lucrar sobre o que é produzido na colônia, regular preços através dessa dominação, exploratória.
  • 5 – TECNOLÓGICO
  • “Este é o período da grande indústria e do capitalismo das grandes corporações, servidas por meios de comunicação extremamente difundidos e rápidos.”
  • Propagação da inovação das  variáveis em conjunto, no caso das comunicações de uma técnica que alimenta a si mesma.
  • Nesse período, Milton Santos fala que a indústria é substituída pela grande indústria e a tecnologia se torna fator autônomo no lugar da indústria.
  • Inovações técnicas na indústria.
  • “Contudo  – e este é um elemento característico deste período -, as grandes corporações são, freqüentemente, mais poderosas que os Estados.”
  • Dominação de forças externas sob países do Terceiro Mundo.
  • AS INOVAÇÕES DO ESPAÇO
  • “(…) organização do espaço pode ser definida como resultado do equilíbrio entre os fatores de dispersão e de concentração em um momento dado na história do espaço.”
  • Até o período industrial as inovações eram restritas a poucas áreas e poucos indivíduos, os países subdesenvolvidos recebiam por indução dos países desenvolvidos, indução essa proposital para produção de elementos que atendiam as necessidades dos próprios países desenvolvidos, em contraponto no período das inovações, não é necessária a proximidade física pois através dos progressos no transporte e na comunicação essas transferências técnicas se difudem, e isso traz efeitos para a organização do espaço.
  • MODERNIZAÇÃO E POLARIZAÇÃO
  • “Cada modernização em escala mundial representa um jogo diferente de possibilidades para os países capazes de adotá-los;”
  • Modernização desigual
  • O ESPAÇO COMO UM SISTEMA: O ESPAÇO DERIVADO
  • “Um sistema pode ser definido como uma sucessão de situações de uma população em um estado de interação permanente, cada situação sendo uma função das situações precedentes.”
  • O espaço é um subproduto acumulativo de ações durante e no tempo.
  • “Nosso problema será, então, o de compreender devidamente os mecanismos de transição espacial dos sistemas temporais.”

 

 

 

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